Você pode ser uma pessoa religiosa ou simplesmente ter a sua fé particular, mas se for honesto e justo consigo mesmo certamente deve ter milhões de questionamentos na cabeça. Se for honesto mesmo, de verdade, deve admitir sem necessidade de autodefesa (pelo menos deveria), que reside em seu interior uma boa dose de preguiça intelectual, ou simplesmente muito medo. Um medo aterrorizante. A sua aceitação incondicional em relação as absurdas contradições, que são visíveis nas crenças destituídas de razão, demonstram claramente isso. Por que não questionar? Qual o problema em duvidar? Como pode acreditar em algo (insano, lunático e descabido) por pura osmose, sendo que esse algo foge a tudo que se conhece na natureza demonstrada? Você crê em lobisomem? Em fadas? Você, que se diz crente e cristão, crê também nas virgens paradisíacas (muçulmanas) que aguardam os homens-bombas no céu? Você crê no Inri Cristo? Perguntas idiotas para situações mais idiotas ainda. Não há nada mais irônico e contraditório do que tratar assuntos lunáticos com discursos sérios e racionais. No entanto é isso que geralmente nós, incrédulos, tentamos fazer. Portanto, os céticos possuem uma parte de culpa no fomento dessa idiotice toda, pois há séculos vocês, crentes, deveriam ser devidamente desprezados pelos que se dão ao trabalho de pensar. Pensar e encarar a realidade é difícil, mas é necessário. Vocês não pensam.

Continuemos. Quando você está numa roda de amigos e aquele colega repleto de estórias e contos lhe propõe uma fantasia absurda e sem sentido natural, totalmente irracional e amplamente desprovida de bom senso, apesar de você se deleitar temporariamente com ela (o lazer fantasioso, um ótimo entretenimento, seja em forma de conto verbal, literário, cinematográfico, teatral etc.), não encontra dificuldade alguma para descartá-la assim que a conversa termina. Convenhamos: você não vai para sua residência achando ou pelo menos ventilando a hipótese de que as insanas palavras do seu amigo devaneador são “sagradas” ou “divinas”. Este exemplo, que a princípio é tosco aos olhos dos que creem em deuses celestiais e sequer param para pensar na equivalencia entre as tosquices (o meu deus é o verdadeiro, a bíblia é a prova disso!!), na verdade revela que a crença em algo destituído de razão é absolutamente prepotente e sem lógica racional. Uma simples análise imparcial comparativa e profundamente honesta comprova isso. Honesta a ponto de vencer a covardia interna e os próprios medos.

Se você é um crente, mas pelo menos com um pouco de esforço consegue entender essas palavras acima, lembre-se da próxima vez quando for censurar, debochar ou insinuar que a crença de outrem é esquisita, irreal ou maluca, que a sua própria crença não tem valor algum para a realidade. Não se esconda atrás da palavra para justificar as contradições da sua religião ou do seu credo em detrimento de outras, por mais que você as considere insanas. De fato elas são, não iria discordar de você em relação a isso, mas não são mais nem menos do que a sua. Na hipótese de você não aceitar essas palavras devido à cega paixão pela sua própria crença, pense consigo mesmo porque as outras seitas, religiões, lendas, estórias e folclores são irreais e a sua não. O que, além do que você chama de fé, torna sua crença especial e lógica em relação as outras? Faça a simples inversão da “fé”. Ponha-se no lugar de um muçulmano, por exemplo, que tem na mesma proporção as “certezas” na crença dele que você tem na sua. Se você compreender o que a palavra certeza de fato significa, e isso não fizer você pelo menos pensar e entender que existe algo estranho e bizarro nisso tudo, seu poder de discernimento e, consequentemente, sua lucidez sobre a realidade não existem mais. Ou seja, você é um crente.

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