Causa arrepios toda vez que ouço frases como: “Criacionismo Científico”, “O espiritismo não é religião, é ciência” ou até mesmo “Isto é comprovado cientificamente”. A ciência é largamente utilizada por todo o tipo de charlatão para vender seus produtos. Em um país como o Brasil, entre os piores no ensino de ciências, charlatões desse tipo encontram alvos fáceis em nossa população.

Tudo o que é científico está subordinado aos fatos. Por este motivo, uma das maneiras de avaliar o grau científico de uma afirmação é questionar quais fatos a sustentam. Quais fatos sustentam a astrologia, por exemplo? Haverá, possivelmente, casos em que a astrologia parece prever a personalidade de uma pessoa em particular; porém, o que observamos é que as previsões acertadas se encaixam para a quase totalidade das pessoas; quanto mais específica é uma previsão, maior a possibilidade de erro. Neste vídeo, James Randi faz uma excelente demonstração de como a astrologia é capaz de fazer acertos.

Experimentos científicos precisam sempre utilizar controles para avaliar os fatos. Um exemplo desta necessidade são os testes com homeopatia. Analisando a homeopatia isoladamente, esta é capaz de promover curas; porém, quando comparada com um placebo, o número de pacientes curados não se diferencia estatisticamente. Assim como fizemos com a astrologia, quando avaliamos os fatos, precisamos observar a influência de outros fatores como a idoneidade dos avaliadores, utilização de controles, relevância estatística etc.

Outras afirmações são, pelo menos aparentemente, sustentadas pelos fatos. O exemplo disso é o criacionismo, no qual seus proponentes sustentam que o fato de o corpo humano ser perfeito prova que deus existe e nos criou. Conforme já expus neste artigo, esta afirmação parte de uma série de pressupostos não comprovados (o fato de o nosso corpo ser perfeito, só para começar), e quanto mais dependemos destes pressupostos para sustentar uma determinada afirmação, menores são as chances de esta ser a explicação correta, conforme a Navalha de Occam.

Observar os fatos que sustentam dada afirmação e aplicar a Navalha de Occam já torna possível rechaçar quase todas as afirmações tomadas como científicas por charlatões. Existe, porém, uma terceira ferramenta que pode dar o golpe de misericórdia em qualquer uma delas, trata-se do conceito de falseabilidade. Este conceito, porém, é tão abrangente e interessante que merece o próximo artigo inteiro só para ele.

Be Sociable, Share!

6 Comments

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/06. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Eduardo Bitencourt
    • Posted 23 de janeiro de 2010 at 3:57
    • Permalink

    Esse vídeo do Randi é impagável!

    A parte mais engraçada fica por parte da pergunta feita pelo aluno no final. Fica clara a indignação de certas pessoas.

  1. Muito bom bruno. Já é uma introdução ao assunto. Que os charlatões de plantão batam a cara contra o muro.

    Abraço.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/06. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Dan Quintão
    • Posted 23 de janeiro de 2010 at 11:20
    • Permalink

    Teixeira, aguardo ansioso o próximo artigo.
    Muito bom mesmo!

    • Gustavo dos Anjos
    • Posted 23 de janeiro de 2010 at 11:53
    • Permalink

    Essa é o tipo da aula que deveria ser obrigatória em nosso currículo escolar.

    • Guilherme Policena
    • Posted 30 de janeiro de 2010 at 21:44
    • Permalink

    É de espantar o fato de muitos considerarem astrologia e espiritismo como ciências.Assemelham-se mais a paranóias(assim como deus),pois,ao contrário da verdadeira Ciência,que observa os fatos para depois chegar a conclusões;as pseudo-ciências,a princípio criam ilusões descabeçadas sem nenhuma correspondência com a realidade,e depois começam a procurar desesperadamente fatos para respaldá-las.

    Enquanto uma procura as conclusões a partir dos fatos;a outra procura os fatos a partir das conclusões.E há quem chame esta última ciência!

    • Lari
    • Posted 6 de fevereiro de 2010 at 14:47
    • Permalink

    Pois é, tinha uma série de vídeos do Dawkins sobre pseudo-ciências também.
    O legal é que quando todos os outros argumentos acabam os charlatões usam e abusam de física quântica :P


2 Trackbacks/Pingbacks

  1. […] agora à coluna da semana passada, na qual afirmei que o conceito da falseabilidade pode dar o golpe de misericórdia em qualquer […]

  2. By O problema da indução e a falseabilidade on 20 maio 2011 at 4:33 pm

    […] agora à coluna da semana passada, na qual afirmei que o conceito da falseabilidade pode dar o golpe de misericórdia em qualquer […]