Existem bons motivos para alguém não se tornar um ateu, eu reconheço. Ninguém quer, por exemplo, abandonar a crença em uma entidade sobrenatural promotora de uma justiça divina e inescapável. É o conhecido deus protetor. Queremos que os pilantras paguem pelo que fizeram, e que as pessoas de boa índole sejam recompensadas. É muito tentador crer em algo que faça tudo isso acontecer. Mas ainda tem outro, o deus das lacunas. Crê-se que o universo é obra de deus, a origem da vida, igualmente. Ponha qualquer pergunta pertinente da qual ainda não se conhece a resposta e insira o deus das lacunas. Traduzindo de uma maneira mais sucinta, as origens são facilmente explicadas pelo sobrenatural (embora não satisfatoriamente). Agora deus, além de protetor, ganha o atributo de criador.

No último texto eu falei sobre o rótulo de fundamentalismo dado aos ateus. Isso pode ser interpretado como ainda outro motivo, que seria a nossa imagem frente à sociedade. Em uma sociedade de tementes a deus é natural não querer ser a exceção, o descrente. Assim como em um mundo onde a informação e a troca de idéias são fáceis e importantes, não queremos ser rotulados de fundamentalistas (mesmo que isso não se aplique ao ateísmo em si, mas apenas ao estereótipo).

Até agora eu mostrei três bons motivos. Crença na justiça divina, preocupação com a própria imagem perante a sociedade e a crença de que deus é a resposta para tudo. Mas nenhum desses três se compara ao quarto motivo, o maior dos medos e a pérola da ilusão reconfortante que é o medo de morrer e a crença em vida eterna, respectivamente.

Sim. Muitos crentes vão torcer (ou estão torcendo) o nariz, mas não existe razão mais importante. O maior motivo para se acreditar em deus é o medo de morrer. Mais precisamente, na verdade é a ilusão de que a morte nunca chegará. Visto que tanto ateus quanto crentes têm medo da morte, mas apenas crentes acreditam em vida eterna.

Pergunte a alguém se ele ou ela tem medo de morrer. Se a resposta for não, existem duas possibilidades. Ou esta pessoa é deficiente mental, ou está mentindo. É muito mais provável que esteja mentindo. Muitas pessoas dizem não ter medo de morrer, mas isso é uma mentira deslavada. Na verdade, a maior preocupação dessas pessoas não é enganar você, que está fazendo a pergunta, mas enganar a si mesmas, obviamente.

Para um medo tão grande, corresponde uma ilusão demasiadamente doce. Eu não consigo pensar em uma ilusão mais apelativa do que a vida eterna. Muitos irão contra-argumentar que eu não posso provar o que estou dizendo. Não posso demonstrar por “A mais B” que a crença na vida eterna é uma ilusão. E estarão certos. Mas fato é que não existe uma evidência sequer corroborando a “vida após a morte”. E o meu ceticismo não me deixa acreditar em algo bom demais e sólido de menos.

Mas é óbvio que eu, como todo ser humano, tenho um meio de encarar a morte mais amigavelmente. Já adianto que é uma tarefa dificílima encarar essa verdade indigesta com realismo e tentar ficar de bem com isso para o resto da vida. Falarei sobre o além-vida no meu próximo texto sobre o tema.

Morte:

  1. Uma terrível verdade exige uma grande ilusão
  2. O breve e o eterno
  3. A simplicidade inconcebível
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22 Comments

    • Jairo Moura
    • Posted 2 de fevereiro de 2010 at 0:08
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    Dudu, l.3: onde se lê “conhexido”, leia-se “conhecido”. Bom texto.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      RicardoRamos
    • Posted 2 de fevereiro de 2010 at 13:32
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    Ótimo texto Dudu!

    E ao meu ver não importam quantos motivos apontemos para a existência das crenças entre os humanos (inclusive existem teorias que envolvem até mesmo as “vantagens genéticas” no decorrer da história), o medo da morte sempre será o fomentador principal.

    Ou seja, Q.T.C.T.M. – quero ver quem adivinha o isso significa! hehehe…um pouco de humor num assunto tão sério!

    • Higor
    • Posted 2 de fevereiro de 2010 at 17:33
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    Quem tem cu tem medo.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      RicardoRamos
    • Posted 2 de fevereiro de 2010 at 18:23
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    Mas também pudera, tava fácil né? ahahahaha…

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Eduardo Bitencourt
    • Posted 2 de fevereiro de 2010 at 18:50
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    Hahahahahahaha.

    E como os tementes a deus também têm c* (ou pelo menos a grande maioria, acredito eu) suponho que eles tenham medo também!

    Falar nisso é pedir para ser taxado de simplório. Mas assim como você, Ricardo, aposto todas as minhas fichas que é o medo da morte o que realmente inicia o processo da crença.

  1. Observei no forum sobre a morte, uma explicação acadêmica de como o corpo se desintegra após a morte, afirmando que após a desintegração do cérebro a consciencia se extingue. Não concordo com essa idéia e nem com a sua de que tudo se extingue após a morte. Essa coisa de criarem um início e um fim para o universo tambem discordo.
    Se faço uma analogia com o sono se eu deito numa cama a beira de uma praia abaixo de um coqueiro, ao acordar me lembro que deitei ali horas atras. Quem garante aos acadêmicos de medicina que a consciência esta na cavidade intracraniana e não fora.

  2. Tive que interromper o meu comentário p/executar uma tarefa. Continuando, não tenho religião e imagino que exista um campo energético na periferia do corpo e próximo a êle, em que a consciência ou alma ou seja o que for está localizado, e que o cérebro é apenas uma conexão a uma energia externa ao corpo, análogo a um veículo e um condutor. Quando o condutor sai do veículo e o imobiliza, êle passa a ser apenas um objeto inanimado que ficará lá eternamente até a desintegração total.

    • Jairo Moura
    • Posted 3 de fevereiro de 2010 at 18:16
    • Permalink

    A pergunta que não quer calar: tem alguma evidência disso ou não passa do “acredito”? Seria bom que apontasse modos de identificar tal energia e um ou outro artigo publicado em revista com revisão de pares sobre ela. Abraços.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Eduardo Bitencourt
    • Posted 3 de fevereiro de 2010 at 22:51
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    “Não concordo com essa idéia e nem com a sua de que tudo se extingue após a morte. Essa coisa de criarem um início e um fim para o universo tambem discordo.”
    É justamente por muitos discordarem do que eu não disse, que farei o segundo texto.
    E ele fala justamente de como eu (e muitos ateus) lidam com isso (morte). E o que o fim tem a ver com ela(já adianto que “morte” e “fim” não são sinônimos).

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Ricardo Ramos
    • Posted 4 de fevereiro de 2010 at 21:57
    • Permalink

    Dudu, são comentários como o do CARLOS ALBERTO que demonstram como a pessoa não aceita a morte.

    Multiplique isso por tantas culturas humanas existentes no mundo à fora e teremos “destinos” dos mais variados tipos para os mortos. Cada cultura arruma uma maneira de (tentar) explicar a “vida pós-morte”.

    • Roberto Zoza
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 9:28
    • Permalink

    Oi Eduardo, legal o seu texto.
    A morte é inexorável para todos.
    A crença em vida após a morte é a fuga dos humanos para tão clara e esmagadora realidade.
    O problema é que o ser humano se julga algo de mais importante no Universo. E não é. Só olhamos para o nosso próprio umbigo.
    Porque os animais, que surgiram na terra, evoluiram, e estão no mesmo planeta que nós, não se arrogam a esse “direito”?
    Somos prepotentes e arrogantes. E o Universo e a Natureza não dão a mínima pra nós.
    Se não cairmos na real vamos continuar a crer em deuses, santos, cristos e espíritos santos e provavelmente morreremos mais consolados mas com certeza mais burros.

    • Roberto Zoza
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 9:31
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    E que me perdoem os burros (animais).

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Eduardo Bitencourt
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 10:42
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    É Zoza.

    Mas talvez outros animais ainda se auto-intitulem especiais!
    Vai ver os golfinhos-nariz-de-garrafa se intitulem a “espécie escolhida” pelo único e verdadeiro deus (que se parece com um golfinho).

    É absurdo, eu sei. Mas estamos falando de religião.

    • Rulphus
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 13:16
    • Permalink

    Desculpem minha indiscrição e inocência, mas parece-me incongruente à um ateu que nega a existência do “nada absoluto” afirmar a “desintegração do intelecto humano com a morte física”. Ora! Se não existe o nada absoluto, oque acontece com o intelecto humano…ele vai para onde?

    Sou ateu, e como tal, estou ciente de que nenhum cientista jamais produziu qualquer evidência de que o intelecto do homem cessa de funcionar com seu óbito.

    Portanto sejamos razoáveis, ou melhor racionais, e concordemos que assim como os “espiritualistas” não tem prova acerca de seus argumentos, determinados “ateus” também não podem ter certeza de suas conclusões. Não digo que sejam palavras ao vento, mas estamos longe de “uma verdade absoluta”. Se alguém afirmar que tudo se acaba com a falência corporal, estará manifestando uma “crença”, apenas oposta a dos que creêm na existência da alma. O ateísmo, nesse caso, seria uma suposição sobre a qual seus métodos são baseados e não uma conclusão desenvolvida por seus métodos.

    Eu prefiro ser um ateu que conclui baseado em métodos científicos, afinal eu não defendo uma crença e sim fatos científicos.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Ricardo Ramos
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 17:09
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    Mas o que tem a ver a morte de uma barata, de um boi, de um ácaro ou de um homem, com a não existência do “nada absoluto”??

    Não vamos “Kantiar” aqui, por favor né!!

    Ora, quem já morreu está na mesma situação de “quem” ainda não foi concebido (ou seja, não existe), e nem por isso as outras coisas do cosmo deixam de existir. Assim também penso em relação ao “o que” antecedeu o Big Bang, por exemplo.

    Para a pessoa que morre ou para “aquela” que ainda não foi concebida, o nada pode existir, afinal para ela acabou tudo, mas o “nada absoluto” que eu tratei não tinha nada a ver como sua comparação.

    Cada vez mais estou certo de que poucos compreenderam sobre o “nada absoluto” que tratei no outro artigo.

    Quanto ao que voce disse:

    “Se alguém afirmar que tudo se acaba com a falência corporal, estará manifestando uma “crença”, apenas oposta a dos que creêm na existência da alma.”

    Mas do que você está falando Rulphus?!?!?!?!
    O que é alma??
    Poxa, você quer colocar o cético que não acredita numa coisa tão sem evidência como a alma ou o espírito, na mesma posição do crédulo cego que acredita por acreditar??

    Me perdoe se não compreendi corretamente.

    • Rulphus
    • Posted 5 de fevereiro de 2010 at 19:00
    • Permalink

    Ok, Ricardo. Pelo menos vc concorda que o “nada pode existir”, já é meio caminho andado, eis que se aceita o meio, “pode aceitar o extremo”. Ou fica “menos difícil”. Até porque vc não “definiu” esse nada donde o intelecto vem e vai.

    Ressalto também que não coloquei o cético em pé de igualdade com o espiritualista, pois eu disse que: Se alguém afirmar que tudo se acaba com a falência corporal, estará manifestando uma “crença”, apenas oposta a dos que creêm na existência da alma. Ora! Um cético nunca teria a certeza sobre tal fim, com o óbito, simplesmente poque “ainda” não foi provada a existência ou inexistência dessa “alma”, muito menos seu fim. Eu apenas disse que ambas as posições, colocadas acima, são crenças, em razão da falta de comprovação científica.Assim como “ainda” não foi provada a existência ou inexistência do “nada absoluto”, qualquer colocação neste aspecto, negativa ou positiva, trata-se de suposição ou “crença”.

    Acerca do “nada” eu já opino no tópico que vc aconselhou.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/10. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Eduardo Bitencourt
    • Posted 6 de fevereiro de 2010 at 3:22
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    Toda a sua resposta decorre de um equívoco muito comum. Não é a toa que eu vou fazer mais textos sobre morte. É o segundo só neste post.

    Bom. O que você defende é que a nossa consciência supostamente deve ir para algum lugar, visto que não acreditamos em “nada absoluto”.

    Em primeiro lugar. Eu não disse que não creio em “nada absoluto”. Apenas reconheço que o “nada” é muitas vezes tratado de maneira muito leviana. Mas isso é irrelevante.

    Em segundo lugar. A sua conclusão não procede. Você diz que, se não há um nada absoluto, a consciência tem de ir para algum lugar. Bom, você aceita a idéia dualista a priori. Idéia totalmente ultrapassada. A consciência pode ser interpretada como um epifenômeno de nossa fisiologia cerebral. E é uma hipótese que faz muito mais sentido. Assim como o software é um epifenômeno do hardware, e não esperamos encontrá-lo flutuando por algum lugar caso a CPU seja destruída. Assim como a comunicação entre dois neurônios corresponda a uma sinapse, mas você não vai encontrar uma “sinapse” solta por aí, esperando que dois neurônios se conectem para que ela possa atuar. A sinapse existe essencialmente da interação entre a matéria (no caso, neurônios).

    Em terceiro lugar. Você cometeu um equívoco típico de agnósticos. Considerou as duas hipóteses excludentes como de mesmo mérito e plausibilidade. “Dualismo” e “epifenômeno” são duas idéias opostas, mas não de mesmo peso. Para começar, o que você falou sobre mente é irrefutável. Como você irá provar que está errado (que a alma deva ir para algum lugar)? Procurando em cada centímetro cúbico do universo? Seja você, Rulphus, razoável, e reconheça que você não falou coisa com coisa alguma. Para refutar a hipótese de epifenômeno, bastaria encontrar a consciência em qualquer lugar fora da mente, coisa que até hoje nunca se conseguiu fazer. Está esperando verdades absolutas para optar entre uma hipótese e outra?

    • Rulphus
    • Posted 6 de fevereiro de 2010 at 11:41
    • Permalink

    Bitencourt, quanto à “descrença no nada absoluto”, eu me referí ao Ricardo (em razão do perspicaz artigo que ele escreveu), e não à vc. Me desculpe se não me fiz entender.

    Qto à consciência e o nada, eu não disse que ela tem que ir à algum “lugar” e que este seria inexoravelmente o “nada”, eis que, apenas trabalhei as palavras do Ricardo, que afirmou: “quem já morreu está na mesma situação de “quem” ainda não foi concebido” – “o nada pode existir”. Até mesmo porque não acredito em alma e ninguém, ainda, provou a existência ou inexistência do “nada absoluto”. Ressalto que compartilho da concepção da consciência como epifenômeno.

    Ressalto, ainda, que foram colocadas quatro hipóteses (existência ou não de alma e existência ou não do nada), sendo que a inexistência de alma inviabiliza a discusão sobre sua origem e destino, por óbvio.

    Bitencourt, eu não espero verdades absolutas para opitar, mas apenas certificarei com provas irrefutáveis, eis que, pretendo uma conclusão desenvolvida por métodos, e não uma suposição para justificar meus métodos. Até o presente momento, todos nós estamos supondo, no que eu apenas me abstive de “impor uma certeza”.

    • Guilherme Policena
    • Posted 6 de fevereiro de 2010 at 13:59
    • Permalink

    De acordo com os fatos,após a morte vamos simplesmente voltar ao estado de não-consciência que estávamos antes de nosso nascimento.Sendo assim,a consciência(ou seja,todos os nossos sentimentos,memórias,noção de tempo/espaço e a do Eu)é intrínseca ao corpo,pois passou a existir tão-somente após a formação de nossos cérebros,que foi acumulando “arquivos” na medida em que vivenciamos nossas experiências pessoais;e que certamente vai desaparecer com a desintegração do próprio cérebro de que emana.(Consciência está para o cérebro assim como software está para hardware).

    O fato é que não conseguimos imaginar como seria não existir,simplesmente porque somos seres vivos egoístas(no sentido de que é a nossa condição),incapazes de pular fora de nossa sombra antropocêntrica.Nossas ações e pensamentos são sempre voltados para nossos umbigos ,e não para a realidade objetiva,pois ela é completamente indiferente,vazia e desprovida de características humanas.A metáfora mais próxima de ilustrá-la seria um mundo sem imagens,sons,cheiros,sabores,sensações;como um sono profundo sem sonhos.

    Enfim,a vida é apenas uma breve chama entre duas eternidades de escuridão.A perpetuação está ligada ao gene,e não ao indivíduo(daí o instinto reprodutivo).O universo existiu muito bem antes de nosso nascimento,bem como continuará existindo depois de nossa morte.Os motivos que levam alguns a discordar das afirmações anteriores sempre são sustentados por mesquinharias emocionais(daí surgem as religiões,vida após a morte,conceito de alma imortal,felicidade eterna para nós,punição eterna para aqueles que não simpatizamos,enfim,inúmeras ilusões confortantes para fugir do óbvio).E se tudo isso parece angustiante,a culpa é nossa por termos nos apaixonado pela vida e descoberto a inevitabilidade da morte.

    • Wenner Áli
    • Posted 31 de março de 2010 at 17:54
    • Permalink

    O texto é interessante, a forma de interpretar e colocar os exemplos realmente faz com que agente reflita sobre o assunto. Mas a verdade é que iremos trocar ideias e pensamentos e nunca saberemos o que realmente é certo, afinal o que é certo neste mundo que vivemos já que não passamos de repetidores de ideias e situações. Podemos dizer que inovamos, talvez sim, mas se parar e pesquisar iremos descobrir que só acrescentamos algo no que já tinha sido dito de outra forma. Religião? quem colocou esse nome foi o Homem, morte quem criou esse medo foi o homem, afinal de contas se no inicio de tudo fosse colocado que a morte era o descanso eterno e outras pessoas não pensasse diferente e colocasse a morte em duvida, ou seja sera que é sucesso mesmo? ninguem voltou pra dizer. Por isso vivemos cheios de duvidas, prq o homem é uma interrogação e é isso que faz com que sejamos magnificos. Prq simplesmente temos diferenças e pensamos diferentes e quando pensamos igual a outra pessoa passamos a ser repetidores de ideias, ou simplesmente acrescentamos aquilo que ouvimos.

  3. Os seres se aperfeiçoaram ao longo to tempo de acordo com suas necessidades. Então nós os humanos, temos percepção de sons de 20 a 20000 ciclos p/segundo, visual de certa faixa de comprimentos de onda no qual o verde é o que melhor se enquadra nas percepções visuais . A física nos prova que o átomo é composto de 99,999999% de vazio e que nós realmente não tocamos nada, a física nos fala em interações eletromagnéticas, gravidade , força fraca, forte etc e realmente o espaço intermolecular é muito grande. Através de experimentos, já comprovaram que o tempo flui a diferentes taxas em diferentes lugares do universo, e inclusive relógios atômicos atrasam quando expostos a velocidades supersônicas. Quando se está na realidade dos sonhos, o tempo flui a outras taxas, e um sonho de uma hora se passa em 5 minutos.O que quero é falar sobre percepções e realidade.Quem acha que tudo acaba com a morte, tambem não consegue provar nada, assim como eu que acredito que todos nós somos imortais, e existimos eternamente nesse universo maravilhoso, assustador misterioso não consigo provar que tudo é eternidade. Então todos nós estamos falando de achismo; eu acho isso eu acho aquilo etc. Resta-nos apenas a ilusão, isso mesmo a vida é uma realidade feita de ilusão e ninguém tem a última palavra em metafísica ou física ou qualquer outra ciência e realmente tudo que nós vemos é uma interpretação da realidade última, isso mesmo; nós somos interpretes e precisamos concatenar toda a nossa experiência de vida com todos os conhecimentos que adquirimos nesta existência infinita e realizar argumentos que sejam poderosos e indefensáveis . Não deixem de atentar para o fato que quando se olha para alguma coisa, na realidade nós estamos fazendo a interpretação da coisa, e essa coisa é um aglomerado de moléculas, átomos, prótons, nêutrons, elétrons e infinitas partículas que estão organizadas energeticamente tomando a forma daquilo que se considera estar olhando, e dependendo do dispositivo que esteja sendo utilizado para se observar dependerá o que estará sendo visto.Quando citei a analogia de um cara deitando em uma praia, embaixo de um coqueiro e acordando no mesmo local uma hora depois, e tendo consciência e memória de que deitou ali, fiz apenas analogia com a morte; o cara dorme aqui e acorda em outro lugar. Onde você está quando dorme; o corpo está ali, e a consciência está aonde ?

  4. Fazendo outra analogia, eu diria ao Guilherme que despertos estamos em estado de consciencia, e durante o sono em estado de não consciencia e aó acordar voltamos ao estado de consciencia e assim sucessivamente. A única diferença é que com a morte física, a consciência acorda em outra realidade. No universo todas as coisas são cíclicas, e com essa simplicidade de pensamento eu acredito que o próprio ato de dormir e acordar é um ciclo como o da consciência morrer e renascer.
    O universo funciona dentro desta lógica, e o próprio universo é cíclico, se expandindo e se contraindo ao mesmo tempo. Ano passado troquei idéias com uma pessoa que eu achava que era um físico sobre isso, e ele comentou que achava que o universo só estava contraindo, e comparando-se com a explosão de uma granada onde áreqa mais quente está no centro da explosão e os estilhaços estão na periferia e todas as galáxias estão concentradas próximas a nossa e na periferia do universo mais fria, menor número de galáxias. Apesar de não ser físico e nem ele, gostei muito da sua comparação. De qualquer forma, quando entro meu carro, eu sou a consciência e se esse carro se acaba, eu entro em outro e por aí afora.


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