Nesta semana desejo abordar um assunto repetido e já bastante discutido, o qual tem me tirado substancialmente a paciência para debater ou conversar com crentes: a ineficácia dos argumentos racionais perante as cansativas e repetitivas falácias. Navegando na rede por sites céticos e científicos, e em especial pelo Ateus.net, nos deparamos constantemente com crentes, registrados nos fóruns de debates, árduos em exporem seus pensamentos crédulos e tentando a todo custo nos explicar a “lógica” de suas crenças e demonstrar que não há falácia alguma em suas descabidas retóricas. Quanto a presença de crentes em fóruns céticos, vejo até mesmo com “bons olhos”, uma vez que isto incita inúmeras discussões sobre diversos assuntos (insanos) religiosos abrindo naturalmente tantas portas para nós, céticos, argumentarmos com o máximo de racionalidade possível e, quem sabe, trazer alguma inocente “alma” para as raias da razão. Mas o esgotado problema a que me refiro reina em torno da total inutilidade justamente sobre o uso da razão e também do desprezo em relação à exposição da lógica. Para todo e qualquer assunto religioso devidamente refutado pelo cético, o crente sempre (desonestamente) ignora a lógica e responde com uma besteira qualquer tentando vergonhosamente validar sua fantasiosa crença.

Uma das maiores distorções da realidade nos debates entre crédulos e incrédulos, e que está no meu “topo de lista” sobre as coisas mais covardes e desonestas que os crentes costumam se pautar, é a insistência na não compreensão relativa ao “ônus da prova” e seu inadequado uso. Abandonei diversos debates, tanto em fóruns virtuais como em calorosas conversas pessoais com colegas ou com gente estranha, no momento em que a desonestidade de meus interlocutores chegou a este nível. É absolutamente inadmissível que a questão primária do “ônus da prova” não seja assimilada pelo crente debatedor, tamanha a facilidade de compreensão sobre o seu real sentido. Mesmo uma inocente criança, ao contar estorinhas para os pequenos amigos no recreio escolar, é capaz de compreender isso. Mas as insanidades dos crentes superam a lógica e a razão, portanto é de se esperar que eles não vejam absurdo algum na inversão do ônus. Porém, este fato nos tira a boa e agradável sensação de um debate produtivo. Isso nos faz parecer que estamos conversando com loucos:

“Prove para mim que você realmente recebe a visita de duendes no seu quarto todas as noites conforme está alegando”

“ Prove você que eu estou mentindo e que eles não existem. Afinal, é você que não está acreditando em mim!!”

É curioso como o esdrúxulo exemplo acima faz parte da rotina dos absurdos “argumentos” usados pelos crentes, e mais curioso ainda é o fato de que, mesmo ao lerem este exemplo no qual eu substituo a palavra alvo de sua cega crença (“deus” por “duendes”), ainda assim não entendem a simples e infantil lógica a quem de fato pertence o “ônus da prova”. Quando se trata do deus deles, insistem descaradamente na inversão do ônus, tornando qualquer debate inútil e sem propósito.

As falácias são velhas conhecidas no “universo” dos crédulos, e não existe ilusão alguma por parte dos céticos/ateus que num debate entre crentes e descrentes elas fiquem de fora, mesmo porque, sem o uso das famigeradas falácias, como eles defenderiam as contradições, ironias, fantasias, insanidades e aberrações contidas nas tantas raligiões e seitas que povoam o planeta? Mas seguindo com rigor o velho ditado que diz “há limite para tudo”, estamos caminhando para o esgotamento máximo no que tange discutir ou debater com crentes. Enquanto o tempo passa cadenciosamente e a ciência progride deixando cada vez um espaço menor para a existência de seres celestiais ou similares, “usurpando” dos crentes a possibilidade de reação plausível, a desonestidade que habita o conteúdo das explicações e/ou refutações promovidas por eles, os crentes, estão se tornando cada vez mais falaciosas e possivelmente, num prazo não tão longo, elas estarão superando o próprio significado da palavra “falácia”. Ultrapassarão tal categoria e adentrarão no território da mais pura desonestidade intelectual, tanto para si como para seus interlocutores. Uma falácia já é isso, mas eles estão indo além!

Ateus, céticos, cientistas, sábios…não são detentores da verdade absoluta e nem é disso que se trata a questão. Isso é irrelevante. O problema reside na distorção da lógica, no descaso para com a razão e na tentativa de explicar insanamente, desesperadamente e cegamente, o que ainda não se sabe, tornando uma conversa, um debate ou uma discussão, num circo de loucos e malucos que sequer compreendem um conceito tão banal e primário como o contido na expressão “ônus da prova”. E se entendem, a desonestidade por parte deles é ainda maior.

Iniciei o texto comentando sobre perder a paciência para debater ou conversar com crentes, e não há, de forma alguma, a pretensão de postular nenhuma razão absoluta a meu favor, tanto em assuntos religiosos quanto em quaisquer outros. Apenas expor uma situação que está tornando os debates entre crentes e descrentes absolutamente desleal e injusto por parte do primeiro grupo. Os crentes estão encurralados e desesperados; procuram sítios céticos para “checarem” sua própria fé e promovem um “show de horrores” com tópicos, respostas e refutações extremamente desonestas, transformando qualquer debate num covarde apelo à insensatez.

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7 Comments

    • Rulphus
    • Posted 15 de fevereiro de 2010 at 11:53
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    Quando “testemunho” uma discussão entre razão e paixão, filosófica ou não, lembro de um amigo psiquiatra, ao qual dei uma mão. Ele iniciou uma discussão com um paciente, que se dizia “napoleão”, possivelmente reencarnação, e ambos se exaltaram. Eu simplesmente lhe perguntei (ao médico): Quem parece mais louco, o dito napoleão ou quem tenta lhe tirar a “razão” ?

    A argumentação muitas vezes depara-se com o muro da paixão e, ao insistir, pode perder a razão.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      RicardoRamos
    • Posted 15 de fevereiro de 2010 at 13:48
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    Realmente Rulphus. E em muitos casos (debates) que estão ocorrendo neste exato momento no fórum do site Ateus.net, a discussão por parte dos céticos já deveria ter sido abandonada há tempos por total impossibilidade do crente transpor esse “muro” apaixonado que vc se refere.

    • Joanna DArc
    • Posted 15 de fevereiro de 2010 at 21:02
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    É, deve ser porque somos teimosos mesmo…

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Ricardo Ramos
    • Posted 16 de fevereiro de 2010 at 18:01
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    O problema, Joanna, se agrava nos casos como daquele debate como o usuário APOLOGISTA.

    Ora, se o interlocutor crente não aceita o básico do básico e já parte do princípio que a questão do “ônus da prova” não é de responsabilidade dele, e que na verdade o ônus recaí sobre o descrente/cético (alegando que é o descrente que tem que provar a inexistência de deuses, santos, espíritos…), qualquer discussão se torna absolutamente insana, conforme descreveu o Rulphus aí em cima.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Lewis
    • Posted 17 de fevereiro de 2010 at 15:53
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    Rulphus, essa do Napoleão foi muito boa! Ricardo “Russell” Ramos, acho que sair do debate é uma maneira de não dar uma de médico insano. Talvez o cara um dia perceba que não é Napoleão, mas é bem provável que não perceba nunca.

    Agora, chato mesmo ele tentar fazer você aceitar que ele é Napoleão!

    • rosangela dias
    • Posted 17 de fevereiro de 2010 at 20:51
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    …seu texto me fez lembrar um filme – “The Man from Earth”.

    • Roberto Zoza
    • Posted 21 de fevereiro de 2010 at 18:04
    • Permalink

    Ricardo, está rolando um debate no Fórum onde o autor do Tópico é um crente fanático.

    Eu fui até onde minha paciência permitiu e abandonei definitivamente este Tópico.

    Ninguém merece.