Mesmo entre os cristãos mais devotos, felizmente não encontramos hoje em dia pessoas dispostas a seguir os preceitos bíblicos ao pé da letra. De outra forma, teríamos pessoas apoiando a escravidão (Efésios 6:5), apedrejando quem trabalha aos sábados (Números 15:35), apedrejando adúlteros (Levitício 20:10) etc.

Por que isso não ocorre hoje em dia? Bem, dizem os crentes que a bíblia serviu a um propósito de um povo bárbaro e primitivo. Com o avanço social dos hebreus, o deus “olho por olho” foi substituído, com Cristo, pelo deus “paz e amor”, o deus “dê a outra face”. Ora, já temos aí algo de estranho, pois Jesus afirma claramente que nada das leis dos profetas haveria de ser mudado com ele (Mateus 5:17-19).

Há uma passagem muito interessante em que Satã provoca Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1), e em outra passagem referente ao mesmo evento quem solicita o censo a Davi é Deus (II Samuel 24:1).

Diante das evidentes contradições da bíblia, o que dizem os defensores desta? “A bíblia não se contradiz em questões doutrinárias”. Afinal, deveríamos ou não apedrejar adúlteros? Jesus disse que só aqueles que não tinham pecados (João 8:7), já no trecho de Levitício que vimos acima, não há nenhuma restrição. Se Jesus era um homem sem pecados, por que não foi ele o primeiro a jogar uma pedra? Moisés não teria hesitado.

A covarde saída tomada pelos crentes é a Exegese Bíblica, que é o termo que designa as formas corretas de se interpretar os ensinamentos bíblicos. Segundo algumas correntes cristãs, existem duas formas de exegese. A exegese por revelação, isto é, quando a correta interpretação da bíblia é revelada diretamente pelo Espírito Santo. O que nos deixa aberta a questão de quem é mais lunático, quem afirma ter recebido tal revelação, ou quem acredita nela. Vale lembrar que a questão da Infalibilidade Papal, dogma católico, é largamente apoiada neste tipo de interpretação.

A segunda forma de exegese, a exegese racional, é a mais interessante de ser analisada, uma vez que busca-se interpretar a bíblia sob a ótica do povo ao qual o ensinamento destinou-se, ou seja, povos bárbaros e ignorantes, e infelizmente parece-me que a situação não mudou muito de lá pra cá.

Utilizando a exegese “racional”, com um pouco de criatividade, pôde-se justificar os atos mais covardes e cruéis da história das religiões. Entre ele citemos as cruzadas, nas quais milhares de soldados vestindo a cruz vermelha, a serviço do Papa, foram enviados para trazer Jerusalém, a terra santa, para o poder dos “justos”. Pode-se citar também a inquisição, em que milhões foram mortos por não professarem a fé tida como verdadeira pelos cristãos. Podemos citar também o apoio irrestrito à escravidão. E a lista pode ir muito mais longe.

Hoje, baseando-se em questões de exegética, o Papa defende os valores da família, proibindo em qualquer situação o uso da camisinha. Esta política trouxe efeitos catastróficos em países como a África do Sul, onde ainda hoje se espalha a ideia de que a camisinha ajuda a disseminar a AIDS.

Em uma coisa temos que concordar com os exegetas: a bíblia reflete o pensamento de um povo primitivo; falta-lhes apenas compreender que deus é mais uma dessas ideias primitivas que não sobrevivem ao tempo.

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6 Comments

    • Gustavo dos Anjos
    • Posted 24 de fevereiro de 2010 at 1:11
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    Simples, a bíblia não deve ser interpretada literalmente nas passagem que não convém. Apenas as passagens convenientes é que se pode extrair significado claro. Por exemplo, quando jesus subiu ao céus corporalmente. Essa sim deve ser lida de forma literal. Outras não. Que povo burro. Não estuda a bíblia e ainda fica torrando a paciência.

    • Lari
    • Posted 25 de fevereiro de 2010 at 2:53
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    Pior do que a interpretação só mesmo a seleção a dedo pelos líderes religiosos dos trechos que devem ser lidos, pra focar ainda mais o “entendimento” no ponto de interesse.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/03. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Victor Alves
    • Posted 25 de fevereiro de 2010 at 8:15
    • Permalink

    É essa hermenêutica seletiva que é peculiar aos que adotam a bíblia como livro sagrado que sempre me surpreende.

    É como uma vez disseram, ler verdadeiramente a bíblia afasta as pessoas de inteligência normal da religião.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/03. O diretório pai possui permissão de escrita?
      RicardoRamos
    • Posted 25 de fevereiro de 2010 at 14:25
    • Permalink

    Não sei não viu Kosmic. Eu compartilhei esse texto do Teixeira com alguns amigos meus (crentes) e recebi respostas do tipo: “quem você ou esse colunista pensam que são para tentar entender Deus?”; ou “interpretar a bíblia realmente é difícil, por isso nosso pastor, que estudou bastante, traduz as partes complicadas pra gente e abre nossa cabeça”

    Sem comentários!!

    • Acácio
    • Posted 20 de setembro de 2010 at 21:51
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    É bom conhecer e relembrar a seguinte verdade: nenhum filósofo, nenhum lógico, nenhum matemático, nenhum teólogo, nenhum cientista ou qualquer outra pessoa, no passado ou no presente, jamais encontrou uma única contradição nas páginas da Bíblia. Fizeram-se e fazem-se tentativas de mostrar que a Bíblia é inexata e contraditória, às vezes querendo fazer com que os leitores, seguidores e divulgadores da mensagem da Bíblia sejam vistos como desprezíveis, ignorantes, tolos ou ridículos. Porém, invariavelmente, as pessoas que alegam contradições na Bíblia o que fazem é o seguinte: (1) escolhem duas ou mais sentenças bíblicas; (2) escolhem uma interpretação incompatível ou contraditória para essas sentenças; (3) e depois afirmam que a Bíblia é contraditória. O certo é que a Bíblia é um todo coerente. Na verdade, todas as alegadas contradição residem na INTERPRETAÇÃO que essas pessoas decidiram escolher, quando está disponível e acessível a todos, normalmente através do contexto ou de outras passagens bíblicas, a interpretação compatível, não-contraditória e razoável das passagens bíblicas que podem, à primeira vista, suscitar alguma dificuldade de compreensão. Deste modo, a contradição que essas pessoas alegam NÃO reside no que a Bíblia diz, mas naquilo que ELAS, segundo a prévia interpretação que decidiram escolher, DIZEM que a Bíblia diz ? mas que a Bíblia realmente não diz. Naturalmente, no exercício, do meu livre-arbítrio, eu sou livre para, de um cesto de maçãs que tem à vista maçãs boas e maçãs podres, escolher tirar uma maçã podre. Problema meu. Também, perante a Escritura, sou livre para ESCOLHER uma interpretação contraditória, mas aí também o único responsável por isso sou eu. Não poderei jogar as culpas na Bíblia ou em outras pessoas, por isso. Às vezes, esforçando-me por conseguir a boa interpretação, eu posso ter dificuldade em ver qual seria essa interpretação correta de certa passagem bíblia. É interessante que a Bíblia contém pelo menos uma situação igual a essa, que é a do eunuco etíope. No livro de Atos 8:26-38, esse homem de religião judaica temente a Deus estava lendo o texto de Isaías 53:7,8 e estava tendo dificuldade na interpretação dessa passagem bíblia. O evangelizador Filipe abordou-o e informou-o de uma interpretação de Isaías 53:7 e 8 diferente da interpretação que os líderes religiosos do judaísmo lhe propuseram e que ele tinha aceito até ali. Esse homem instruído, membro do Governo da Etiópia, humildemente aceitou a interpretação proposta pelo evangelizador Filipe, com um resultado muito feliz.

  1. comentario pobre de quem conhece a biblia muito pouco,não presciso ser advogado de D-eus,mas quero
    lhe ensinar a primeira regra daexegese interprete
    a biblia,usando texto dentro do contexto,levando
    em conta contexto social,politico e religioso e voçe conhecerá um D-us que nunca quis que homen
    sofresse,mas que sem sua intervenção na história
    com certeza já não existiria a raça humana, e que
    sem o sacrifcio do seu Cristo estariamos destinados a morte eterna.