Diante da dúvida e da incerteza, relativistas nunca adotam, como cientistas, uma postura aberta, positiva e construtiva, buscando os melhores meios de conhecer a realidade, mas uma postura negativa e destrutiva, buscando os melhores meios de ridicularizar aquilo de que discordam, aquilo que, em última instância, vai contra suas convicções pessoais e as despedaça. Claro que, em qualquer debate, suas convicções sempre são convenientemente omitidas para evitar suspeitas quanto à legitimidade de seus motivos. Em regra, relativistas são apenas indivíduos ressentidos pelo fato de a ciência não corroborar suas crenças. Sabemos que ter respaldo da ciência é seu maior sonho. Para ilustrá-lo, pensemos no caso dos religiosos, pois, ao seu modo, religiosos também são relativistas. Senão, vejamos: afirmam repetidamente que a fé não precisa ser comprovada pela ciência; atacam-na quando esta desenvolve teorias que vão contra suas convicções, como o heliocentrismo e o evolucionismo; dizem que a ciência é um saber extremamente parcial, limitado e dúbio. Suponhamos, entretanto, a seguinte situação: a ciência demonstrou a existência de Deus. Preto no branco, está lá: Deus existe; é fato. A descoberta está em todos os jornais, e os ateus coram de vergonha. Diante disso, os religiosos continuariam a defender tal postura relativista, alegando que a ciência é limitada, e que, mesmo comprovada por fatos irrefutáveis, a existência de Deus continua sendo muito duvidosa? Ora, claro que não; eles se tornariam, embora pelos motivos errados, os mais aferrados defensores da ciência. Alardeariam pelos quatro cantos do mundo que suas crenças são fatos. Em outras palavras, já não precisariam ter fé, pois acreditar em Deus passaria a ser tão normal quanto acreditar na gravidade. O mesmo se aplicaria, por exemplo, aos parapsicólogos, caso fosse comprovado que a mente humana possui poderes paranormais; aos reencarnacionistas, caso fosse demonstrada a existência de espíritos; aos astrólogos, caso fosse estabelecida a influência dos astros celestes sobre nosso comportamento. Se os fatos conhecidos estivessem a seu favor, abraçariam imediatamente a ciência, abandonando o fardo de incoerência que os tornava relativistas.

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4 Comments

    • Victor Alves
      Victor Alves
    • Posted 9 de março de 2010 at 8:54
    • Permalink

    Muito bom, curto e direto. =)

    • Jairo Moura
      Jairo Moura
    • Posted 9 de março de 2010 at 9:47
    • Permalink

    É a velha máxima: o que eu creio é certo e o que os outros creem é relativo.

  1. Pois é. Ao se abraçar uma crença absurda, irreal, cheia de paixão, de necessidades psicológicas íntimas e convenientemente moldada para sí como se tivesse sido feita “sob medida” para cada crédulo, só mesmo apelando ao relativismo.

    Ótimo o pequeno texto, André. Mais um que mandarei para alguns “alvos” certos da minha convivência social.

  2. Brother…
    Esse argumento aí…
    É um chute no saco, bandão, chuta as costelas, cospe e depois chinga a mãe de qualquer religioso que vem como esse argumento bem besta…
    Parabéns, de pé aplaudindo!!!!

    PS – Tem um pedido de parceria meu na parte de Links e parceria, gostaria que analisassem.
    Um abraço
    Fabenrik
    ateu e atoa