Em 1977, como parte do programa de exploração interplanetária batizada de Voyager,foi lançada na direção de Saturno a sonda Voyager I. Após completar a sua missão, em 1990, uma última foto foi tirada em direção ao planeta Terra, a uma distância de 6.4 bilhões de quilômetros. Esta fotografia ganhou fama e foi batizada de Pale Blue Dot (ou pálido ponto azul), que mais tarde inspirou a confecção de um livro homônimo do brilhante astrônomo norte-americano Carl Sagan, que na época fazia parte do projeto e havia solicitado que a imagem fosse capturada pela sonda.

Na imagem acima, destacada pelo círculo azul, o planeta Terra se apresenta como um insignificante ponto no universo. Olhos desavisados nem ao menos perceberiam sua presença. Não há nada de especial neste ponto luminoso, exceto para nós, que o habitamos. Este é o planeta no qual residimos e que serviu de testemunha para todos os feitos da humanidade. Não conhecemos (ainda) outra forma de vida, senão aquela que aflorou em solo terrestre.

Para nós, seres humanos, é fácil imaginar que todo o universo gira em torno de nossa jovem existência, de nosso planeta tão rico em vida, e tão facilmente desprezamos o fato que nada temos de especial neste colossal universo, senão o fato de que fomos afortunados o suficiente para proporcionar, em dado momento, que a célula primordial viesse a existir.

Dentre tantos planetas, só a Terra possui vida; logo deve ter sido obra de uma inteligência superior, diriam os crentes. Entretanto, sabemos que não é bem assim. Dentre bilhões de planetas que flutuam no nosso universo, não é nada impressionante o fato de a vida ter aflorado em ao menos um deles. Imagine que mesmo se a chance fosse de um em um milhão, ainda assim haveria uma alta porcentagem de favorecimento a alguns desses planetas.

É muito provável, ainda, que existam outros sistemas onde tal fato também se deu. Não é descartada a possibilidade de outros planetas que carregam em seu solo alguma espécie de vida extraterrena, que pode ser, ou não,similar ao que conhecemos por vida. Seja qual for a situação, nossa possibilidade de comunicação com tais seres se vê separada por anos-luz.

Me parece extremamente pretensioso que se atribua à uma força inteligente e infinitamente superior a criação de tudo o que existe, que deliberadamente o fizera com a única finalidade de servir de nicho para um grupo de humanoides, com a intenção de que estes últimos louvassem e erguessem templos em homenagem a este criador vaidoso e ciumento.

Entretanto, como nos lembra bem Carl Sagan, apesar de insignificante, este é o nosso planeta. É tudo o que temos. Não conhecemos ainda meios de migração para outros planetas, e não há qualquer previsão que torne tal acontecimento possível. É preciso cuidar do que temos, pois é o único que temos, e deixar de lado todas as futilidades e puerilidades metafísicas criadas por desocupados religiosos, inconformados com uma existência simples na Terra, e que sob a pretensão de serem vistos como humildes servos de um ser maior, criam a ilusão de uma vida póstuma, elevada e superior.

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14 Comments

  1. A famosa fotografia da Voyager assim continua sua saga despertando um profundo sentimento de fragilidade na gente e ao mesmo tempo admiração por viver em um cosmo tão maravilhoso e complexo.

    Bom trabalho Victor ! ´Ótimo texto =D

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/07. O diretório pai possui permissão de escrita?
      RicardoRamos
    • Posted 30 de março de 2010 at 13:14
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    Curiosamente essa imensidão toda e a nossa insignificancia perante ela serve justamente de “combustível” para os crentes e agnósticos defenderem seus credos e dúvidas, respectivamente.

    E embora a imensa/infinita vastidão cósmica seja de fato admirável, não compreendo a insistente divinização das coisas em plena época contemporânea.

    É absolutamente surpreendente, por exemplo, que pastores evangélicos teatrais/estelionatários façam tanto sucesso nos dias de hoje.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/07. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 30 de março de 2010 at 13:58
    • Permalink

    Comparado com o tamanho da galáxia, sequer sabemos que o ponto é azul, de tão pequeno e frágil… Mas não é linda a nossa casa?

  2. A essa distancia parece não fazer tanta diferença assim, não é Jairo? hehehe

    Um pálido ponto azul…

    • Red Guy 32
    • Posted 1 de abril de 2010 at 17:10
    • Permalink

    Se algo tem uma chance de uma em um bilhão de acontecer, isso significa que se eu tentar um bilhão de vezes, eu conseguirei uma vez? É evidente que não. A cada vez que eu tentar eu terei a mesma chance de antes. Então como podemos aplicar isso a algo muito mais complexo e difícil de ocorrer como a vida? Ou o cérebro humano? Acreditar que o pálido ponto azul surgiu por acaso também é, de certa forma, uma questão de fé.

    Respondendo ao Ricardo Ramos: O fato de os pastores fazerem sucesso deve-se a algo inerente ao ser humano chamado “necessidade espiritual”. Isso é algo que a ciência nunca conseguirá preencher ou suprir.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/07. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Victor Alves
    • Posted 1 de abril de 2010 at 17:21
    • Permalink

    Defina necessidade.

    Obs: Uma chance, é alguma chance.

    As chances de ganhar com 6 números na última megasena foi de uma em 50.063.860. Entretanto, houveram dois ganhadores. Estranho não?

    Estamos falando aqui sobre o surgimento de vida na terra. Logo, é como se cada planeta fosse um “apostador” neste sorteio hipotético. Ao menos um (do qual temos conhecimento), mas possivelmente outros planetas foram sorteados com as condições necessárias para gerar a primeira forma de vida, que se adaptando as condições do planeta, evoluíram até o presente momento, e continuarão evoluindo até que se extinguam a vida em nosso planeta.

  3. Gostei muito das reflexões.
    Só tem uma coisa que me atormenta: é saber de onde vem a noção de infinito! O que seria essa coisa: Infinito?
    Se uma pessoa viajasse na velocidade-da-luz, com um cálculo-de-trajetória-perfeito, onde será que chegaria? ou não chegaria a lugar algum? E se chegassem em algum lugar (“o fim do universo”), o que estaria atrás do “fim”? Seria uma espécie de parede sólida “infinita”? O que estaria atrás dessa parede?
    Finalmente, como eu disse anteriormente, essa questão é a única coisa que me deixa intrigado: DE ONDE VEIO A NOÇÃO DE “INFINITO”?

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/07. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 2 de abril de 2010 at 9:36
    • Permalink

    Marcelo Cabral, você tem o exemplo mais perfeito para isso bem perto de casa: a terra é finita e infinita ao mesmo tempo. É finita porque você pode calcular sua área e volume, mas é infinita porque se você andar em linha reta, nunca chegará ao seu fim. O universo é a mesma forma e sua geometria é a geometria espacial, não a euclidiana. Para saber mais: http://www.somatematica.com.br/emedio/espacial/indice.php

  4. Obrigado pela atenção e esclarecimentos, mas se detendo um pouco mais, no que talvez eu não tenha conseguido transmitir pelo teclado, poderá refletir sobre o que Cancian fala em seus escritos de Relativismo, principalmente o nº II…
    Falo de algo ainda sem respostas… depois da nossa galáxia, certamente haverá outras e milhões de outros sistemas (teoricamente). Assim, espero um dia que alguém consiga definir a expressão INFINITO. Matematicamente, eu compreendo… e você sabe do que estou falando!
    Interessante, você me pedir para ler um site inteiro, sendo que você parece saber a resposta… Ficarei ansioso por uma definição exata de INFINITO, feita por você. – Escreve e posta aqui nesta página (UM DEUS EM MINHA GARAGEM!)
    Obs: fique tanquilo eu sou cético e ateu!

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/07. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 2 de abril de 2010 at 11:45
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    Colei o link para que você entedesse do que se trata a geometria espacial. Não é essencial para que entendesse o meu post. Expliquei a você que uma superfície finita (em área e volume) pode ser infinita (em distância percorrida). A finitude está na geometria plana (euclideana). É o caso do seu teclado: começa na sua esquerda e termina na sua direita. Mas você só estará considerando duas dimensões. Se tentar percorrê-lo em voltas, entenderá o que eu estou falando: não há começo nem fim, ou seja, é infinito, no sentido de não ser delimitado. Nossa noção intuitiva de finitude esbarra na noção de transformação.

  5. Engraçado como as pessoas se superestimam, apenas por terem lido alguns livros.
    Não obstante, mais uma vez, agradeço seu empenho, porém estamos falando de coisas diferentes.
    Etendo bem Matemática e Física (estudei Ciência da Computação)…
    Finalmente, vou ficar com o Post de Cancian (Relativismo nº II) explica muita coisa do que você escreveu aqui nesta página.

  6. O Universo é infinito?

    Se o Universo está se expandido de um tamanho inicial para um tamanho final, como pode ser infinito?
    Dependendo do seu ponto de vista, o Universo pode ser considerado de tamanho finito ou infinito.

    Há algumas maneiras de estimar um tamanho possível. Por exemplo, se está se expandindo na velocidade da luz (c), então seu raio (R) = ct, onde t é a idade do Universo. Isso resulta em um raio de 1025m usando uma idade de 1010 anos. Essa estimativa de idade é baseada em t=1/H, onde H é a constante de Hubble. Para mais informações veja a página SEED sobre a Constante de Hubble e este site sobre a Constante Hubble (em inglês).
    Se o Universo está se expandindo mais rápido do que a velocidade da luz, será maior do que a estimativa acima, mas, nesse caso, não somos capazes de observá-lo.

    O Universo também pode ser considerado infinito no tamanho, apesar de estar constantemente aumentando. A infinidade não é uma constante e não pode ser definida pela matemática. “Infinito” pode ser visto como um número sem um valor preciso com a propriedade de que para qualquer número que você possa imaginar, independente do tamanho, infinito é sempre muito maior – na verdade, infinitamente maior do que qualquer número. Isso certamente é verdade sobre o tamanho do Universo.

    Nossas observações da expansão do Universo podem ser consideradas como medições locais. Astrônomos descobriram que todas as galáxias detectáveis parecem estar se afastando cada vez mais umas das outras. Não vimos o final do Universo e percebemos que está se afastando cada vez mais com o passar do tempo.

    Matematicamente, o Universo pode ser considerado infinito mesmo no Big Bang – uma quantidade infinita de matéria espremida com zero separação. Infinidade x zero pode ser a infinidade ou zero ou alguma outra coisa, dependendo da matemática detalhada.

    O conceito de “infinidade” carrega muitos paradoxos. Por exemplo, imagine um hotel com um número infinito de quartos. Um dia um número infinito de pessoas visita o hotel e se hospeda lá. O primeiro hóspede fica com o primeiro quarto, o segundo com o segundo quarto, e assim por diante. No outro dia, outro número infinito de pessoas chega no hotel – mas para onde devem ir? Uma maneira simples é pedir para todo o primeiro grupo de pessoas que se reorganizem para ocupar apenas os quartos de números ímpares: a primeira pessoa entra no primeiro quarto, a segunda no terceiro, a terceira no quinto e assim por diante. Como o número de quartos é infinito agora teremos um número infinito com números pares – só para as pessoas recém-chegadas.

    Fonte: http://www.seed.slb.com/v2/FAQView.cfm?ID=1170&Language=PT

    • Pedro França
    • Posted 5 de abril de 2010 at 23:04
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    Uma vez li uma frase creditada a Einstein que dizia “O universo é finito, porém sem fronteiras”. Acho que ela sintetiza bem o que o Jairo estava querendo falar. Quando dizemos que ele é infinito, queremos dizer que ele é muito, muito, muito, muito, muito²³ grande. Dessa forma, economizamos uma boa quantidade de “muitos” e damos a entender o que queremos dizer. Lembras das aulas de Limite, Marcelo, logo no comecinho do curso de Cálculo 1? :]

  7. Tudo é mutável. Principalmente quando falamos em ciência. O sarcasmo é um típico sintoma Teísta.
    Só porque fiz uma pergunta construtiva ao Autor do Post, estou sendo perseguido por algum tipo de “Inquisição” de pessoas que estão habituadas a marcar território em postes de rua.