Um cérebro complexo e adaptável significa uma vantagem evolutiva incrível no quesito “intelecto”. Mas apesar de nossa espécie – Homo Sapiens – possuir óbvia vantagem intelectual, o mesmo não acontece quando olhamos pelo lado da “força bruta”, por exemplo. Portanto compreenda que, quando me refiro à espécie humana, trato como “superior” apenas sua capacidade intelectual, já que somos inferiores a outros seres em diversos outros aspectos.

Surge com esse “dom”, porém, a capacidade de imaginar, criar e reformar. Adaptamo-nos a quase todo ambiente porque adaptamos o ambiente a nós. Entre adaptações, criações e repaginações, surgem teorias e pseudo-teorias, mas não é especificamente sobre isso que falaremos.

Conhecemos (suponho) algumas teorias científicas, mas estas não são suficientes para explicar a origem de tudo; e conhecemos as “teorias” teístas, que sequer são teorias, mas dizem poder explicar essas origens. A discussão se torna infrutífera quando se chega no ponto alto do debate, que é quando se pergunta – O que criou o universo? – e “responde-se” – O que criou o criador?.

Nessas horas é como “enfiar o ovo no fiofó da galinha e a galinha no ovo pelo fiofó” (e assim sucessivamente). Vêm as teorias e as teologias, mas ninguém se convence, nem para o lado do ovo, nem para o da galinha. Percebeu o que sobra?

Tudo o que defendemos faz parte do nosso histórico de vida, nossas experiências e, se ainda acha que algo em você ou em mim é inato, não conseguirá passar dos movimentos básicos, como a habilidade de sugar, perceptível nos bebês.

Há fatores definidores de nossas personalidades: a rigidez da criação, o ambiente familiar e social, a forma como somos tratados pelo meio social, cor, religião da família, deficiência, fatores genéticos e outros. Ou seja, genética e ambiente, sendo que um influencia no outro, porém o ambiente define a cultura, as normas e o comportamento, enquanto a genética define como será a reação a respeito disso tudo, sendo muitas vezes reprimida e substituída por outras ganas (desejos).

Buscamos sempre a satisfação de nossos desejos, baseados no que o meio social valoriza. Desejos reprimidos geram desejos substituídos e estes substitutos são valores sociais aceitáveis e recompensados. Quando recompensados, seja de forma afetiva, financeira ou aumento da popularidade (essas não são as únicas), tem-se assim um reforço em relação a esse tipo de atitude, o que tende a torná-la mais frequente. A capacidade de criar e reformar torna essa atitude cada vez mais complexa, pois o “constante” começa a passar despercebido aos olhos humanos; isso a ponto de tornar-se algo tão complexo e necessitado de atenção que começa a transformar-se no que se quer “ouvir”, não no que se realmente é.

O próprio pensamento a respeito do universo é o resultado de uma infinidade de processos pelos quais passamos e, ainda assim, desconhecemos. Sendo assim, talvez seja possível introduzir ideias teístas na ciência, excluindo-se a divindade, assim como é possível inserir ideias psicanalíticas no behaviorismo, excluindo-se o inconsciente. Mas pode ser que o resultado seja o “algo” que estava entre o ovo e a galinha.

Não se preocupe em distinguir onde está, neste texto, o comportamentalismo e onde está a teoria psicanalista, pois estão, de certa forma, fundidos (para desespero do bom entendedor). Lembre-se do caminho que estamos tomando: o caminho do meio, um equilíbrio utópico e desconexo, seja abordado através de teorias, religiões ou atitudes. Mas, afinal, qual o limite?

Be Sociable, Share!

2 Comments

    • Red Guy 32
    • Posted 3 de maio de 2010 at 21:04
    • Permalink

    Excelente texto, com uma excelente questão filosófica no fim. Cada um irá procurar sua própria resposta, ou se contentar com nenhuma resposta. O importante é manter a cabeça aberta sempre.

    • BossGrave
    • Posted 9 de maio de 2010 at 2:25
    • Permalink

    Red Guy 32, uma resposta falsa vale mais do que nenhuma resposta? Pense nisto. Alguns não sabem, outros fingem que sabem.