A todo cadáver cabe enfrentar a decomposição do corpo. Em tempo, a luta continua para os que, ainda vivos, enfrentam a degeneração mental – no plano das idéias, claro. Não que isso seja ruim. Para tudo o que se destrói, nova coisa se constrói.

O herói ainda vivo vê seus planos ruírem junto à inesperada partida do antigo companheiro. As memórias tranformam-se em instrumentos de tortura. A agonia e o desespero, ainda que ocultos, às vezes utilizando a máscara da indiferença, compõem a fórmula de sentimentos tão tediosos e monótonos quanto as palavras lidas até aqui.

Para a superação sentimental e intelectual há duas soluções possíveis: uma é encarar a situação, vivendo-a com todo o lodo que ela traz à tona; a outra é retirar a região do cérebro via cirurgia, tornando-se o vegetal que muitos são (mesmo sem necessitar de abrir mão).

É este o ponto chave da fé. O não aceitamento da situação, substituindo o real pela necessidade da impossível.

Por mais difícil que seja aceitar, nada é mais saudável para a vida do que a morte, esta inimaginável situação que mexe tanto com a cabeça das pessoas, que transforma a dor da despedida em ponto de partida para o sensacionalismo e a exploração da situação da própria mente por gênios da extorsão, de plantão em cada esquina.

A fé é uma brincadeira de mau gosto. Somente quando explicitada podemos compreender o vilão que é:

httpv://www.youtube.com/watch?v=eahHZOfQfEA

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One Comment

    • Wallace
    • Posted 4 de junho de 2010 at 12:29
    • Permalink

    Existe uma tribo de indios iaquis que usa a morte de um modo interessante, como conselheira. Eles se perguntam todo dia: “Já que vou morrer, o que devo fazer agora?”. Acho isso inteligente.

    Sem a morte espreitando, que se sentiria compelido a viver? Isso é irônico. ;)