Há poucos dias, criacionistas tiveram mais uma importante derrota nos tribunais dos Estados Unidos. Um juiz federal negou ao ICR (Instituto para Pesquisas Criacionistas) a possibilidade de oferecerem o grau de Mestrado em Ciências com “uma perspectiva do criacionismo bíblico-científico”. Atribuindo a jovens crentes o grau de Mestre em Ciências, o ICR poderia diminuir a escassez de Criacionistas “Cientistas” que promovam a Teoria da Terra Jovem.

As batalhas nos tribunais americanos não são nada novas. Começaram com o Julgamento de Scopes em 1925, no qual um professor do ensino médio, John Scopes, foi acusado do ensino ilegal da Teoria da Evolução no Estado do Tennessee. Esse julgamento ganhou grande notoriedade nos EUA, juntando grandes juristas tanto do lado da defesa quanto da acusação e até virou o filme O Vento Será Tua Herança, em 1960. Ao final do julgamento, Scopes foi considerado culpado, o que lhe garantiu uma multa de U$ 100, o equivalente nos dias de hoje a aproximadamente R$ 2.200. O julgamento elevou as proibições em diversos outros estados que só seriam derrubadas em 1968 no julgamento Epperson vs Arkansas.

Susan Epperson era uma professora secundária que se viu em um dilema. Deveria seguir a recomendação de adotar um novo livro que discutia a evolução, ou seguir a lei que proibia o ensino da Evolução no Estado? Susan Epperson decidiu levar o caso à justiça e o estendeu até a Suprema Corte Americana, órgão máximo da justiça. Nesse julgamento, a corte deu ganho de causa aos professores, alegando que a proibição feria a primeira emenda da constituição americana, que prevê a separação do Estado das Religiões.

A saída adotada pelos criacionistas foi tentar ensinar o criacionismo e a Evolução juntos, como se tivessem a mesma importância dentro da ciência. Nascia aí o termo “Criacionismo Científico”. O caso foi novamente à justiça, em 1982, no Estado de Arkansas e, em 1987, na Suprema Corte dos Estados Unidos. Nesse segundo julgamento, uma carta, assinada por 71 ganhadores do Prêmio Nobel, 17 academias estaduais de ciências e outras 7 associações científicas, foi entregue aos juízes afirmando que o criacionismo não possuía nenhuma qualidade científica e era composta de diversos elementos religiosos. Assim, o criacionismo foi banido do currículo de ciências nos Estados Unidos.

O resultado desse julgamento obrigou uma mudança de estratégia por parte dos criacionistas: já que não podiam ensinar o criacionismo, eles passaram a atacar o evolucionismo e rebatizaram o Criacionismo para Design Inteligente, diferenciando-os apenas pelo detalhe de não nomear deuses como a inteligência responsável pelo design.

No distrito de Dover, na Pensilvânia, dois membros do conselho de educação, que por acaso também eram criacionistas da Terra Jovem, conseguiram convencer a maior parte do conselho que era inadmissível que um livro dissesse que o homem descende dos macacos, não havendo nada para contrabalancear essa hipótese. Desta forma decidiu-se que o Design Inteligente deveria ser ensinado para os estudantes.

Tammy Kitzmiller, mãe de um aluno, decidiu levar o caso à justiça, e argumentou o óbvio, que o Design Inteligente era apenas mais uma roupagem para o velho criacionismo. Os defensores convocaram, como testemunha, diversos especialistas. O primeiro deles foi Michael Behe, bioquímico e autor do famoso livro A Caixa Preta de Darwin, um dos marcos do Design Inteligente.

Em seu depoimento, Behe, sob juramento, assumiu não haver qualquer artigo revisado por pares que suporte o design inteligente. Além disso, assumiu que pelo conceito de teoria científica que o Design Inteligente se encaixava, a astrologia também poderia ser considerada como cientificamente válida. O juiz concluiu, desta forma, que o ensino do Design Inteligente era inconstitucional e assim, não mais poderia ser ensinado nas escolas.

Os criacionistas, para não caírem no ostracismo, reuniram esforços na difícil tarefa de embasar cientificamente suas afirmações e, para isso, procuram aumentar o número de crentes cientistas pagando altos prêmios, investindo em “pesquisas” e criando universidades. Felizmente, desde 1925, a justiça têm sido coerente colocando o criacionismo em seu lugar de direito: junto das doutrinas religiosas.

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2 Comments

    • Rav
    • Posted 26 de junho de 2010 at 23:19
    • Permalink

    A imagem do Darwin fecha com chave de ouro o texto.

    • Rubens
    • Posted 1 de julho de 2010 at 16:17
    • Permalink

    Excelente texto!
    Já assisti várias vezes este filme e recomendo. Recomendo também “A goleada de Darwin”, de sandro de Souza, para quem quiser saber mais sobre o julgamento em que Behe depos.


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