Uma vez desmistificada a genealogia da verdade, resta admitir que ela não perde seu peso. Se digo que tenho duas pernas, posso questionar o que o numeral representa, bem como a que o substantivo se refere e, ainda, no que consiste a ação. Mas, sanadas todas essas dúvidas, dificilmente poderia negar a afirmação.

Admitindo condições normais, você, leitor, também possui duas pernas. E, claro, pode, por sua vez, passar por todas as indagações possíveis até concluir o raciocínio. Poderia dizer, então, que somos iguais, eu e você? É um belo questionamento que o senso comum deixa escapar.

Ora, a conclusão só faria sentido se o que se propõe comparar tiver relevância para o caso. Poderia dizer que tenho olhos e que sou igual, portanto, a tudo o que tiver olhos, não importando o quão diferentes sejam em número, tamanho, composição e capacidade. Em outras palavras, precisamos esvaziar alguns dos detalhes para abranger um número maior de unidades.

Há algum problema nisso? Teoricamente, nenhum. A menos que seja uma manobra consciente com fins de manipular o interlocutor. Acontece em boa parte do discurso político e, principalmente, no discurso ecumênico.

Mesmo dentro do cristianismo, há uma miríade de seitas e subdivisões de credos e confissões. Dogmas de certa interpretação não coadunam com os de outras, na maioria dos casos. Como a maioria dos ensinamentos é autocontraditória, é impossível alegar que todos estejam certos. O máximo que podemos afirmar é que só um deles é fundamentado no que se possa chamar de verdade, mas é quase certo que nenhum passe no teste de realidade que empreendemos para outras coisas.

Resta-lhes, então, esvaziar os detalhes. Afinal, todos não louvam o mesmo deus? Se consideramos “deus” como a noção de um ser superior para o qual devemos obediência e/ou adoração, quase todas as religiões conhecidas seriam idênticas entre si. Não preciso apontar as discrepâncias dessa noção com o que pode ser observado: diferem desde vestes e rituais típicos até comportamentos sociais e sanções para apóstatas.

Esse esvaziamento parece ser a etapa final de um relacionamento emocional. Tal como nossos amados, cujos detalhes ignoramos quando estamos apaixonados, a ideia vaga só se sustenta enquanto não se pede por detalhes. Uma simples pergunta aberta seria capaz de dividir os fieis nas mais diversas vertentes interpretativas.

Tomemos por exemplo os dogmas católicos. Dificilmente encontraremos alguém que os cumpra todos – não só pela dificuldade atual, mas pela total ignorância quanto a eles. Encontraremos, isso sim, fieis que escolhem aqueles que desejam seguir, baseados, principalmente, na capacidade de conciliação com a vida quotidiana. Voltando às nossas definições, tais pessoas não poderiam ser consideradas católicas, strictu sensu. Se assim afirmam no censo demográfico, é porque foram batizadas durante a infância e tendem a visitar igrejas em datas culturais.

Por nosso condicionamento, dificilmente razão e emoção se encontram. Em geral, separamos bem as duas esferas e desligamos uma sempre que a outra está em ação. Assim, não importa o quanto demonstremos a tal ou qual pessoa o quanto sua crença – não necessariamente religiosa – precisa ignorar detalhes para se sustentar, pois haverá sempre uma zona de (des)conforto que dará legitimidade ao forte apelo emocional.

Ignorar detalhes é uma forma econômica de levar a vida – não há dúvidas quanto a isso. É uma maneira simples e eficiente de encarar modelos artificiais impostos de fora para dentro e, ao mesmo tempo, ter noção de identidade para um grupo que precisa partilhar determinadas ideias.

Por que, então, investir tempo em um texto assim? Porque a maturidade consiste em estar consciente das limitações do condicionamento a que fomos submetidos e racionalmente investir em atitudes que visem a mudar o que não mais nos serve, o que se mostrou prejudicial e inadequado para o nosso projeto de vida. E, acima de tudo, porque não há simplesmente a inocência de quem segue tal condicionamento: há, no polo ativo, sempre alguém disposto a se aproveitar da ingenuidade e da ignorância alheia.

Be Sociable, Share!

24 Comments

    • Antonio Porto
    • Posted 12 de outubro de 2010 at 16:42
    • Permalink

    Cabe salientar que há dois tipos de ateísmo :
    Nominal, científico e militante.
    Nominal é aqueles que não acreditam em deus, mas não opinam sobre isso. São os que ficam no armário.Segundo Dawkins.
    Científico, seria, evidentemente aquele formado por cientistas formados, em muitas áreas da ciência.
    Militante, seria aquele que escreve textos, livros e artigos sobre o ateísmo.
    Mas existe uma falsa idéia que o ateísmo é a ausência total de crenças.
    Um exemplo é Richard Dawukin, ele não estuda biologia por gostar do que faz, mas apenas para poder “provar” que deus não existe.
    Se argumentar que religiões são perigosas, citando guerras e atrocidades, ele acertou,
    mas algum ateu aí nega que que paises ateus fizeram a mesma coisa? Até hoje.
    Dawkins a muito tempo deixou-se levar pela paixão de desafiar o sobrenatural, buscando explicação no natural.
    É evidente que nunca conseguirá, por mais que a ciência avance.
    Mas isso é só um detalhe.

  1. “…nenhum passe no teste de realidade que empreendemos para outras coisas.”

    é, só achei essa parte muito dura. Depende da dificuldade do teste. Tudo bem jà que sò passariam no teste por causa de descobertas feitas por pessoas que essas próprias empresas tentaram impedir de progredir…

  2. Antonio. É bem difícil afirmar quais os motivos que faz uma pessoa estudar determinada matéria. Já é difícil para própria pessoa saber, imagine para terceiros.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 12 de outubro de 2010 at 21:27
    • Permalink

    Em primeiro lugar, tanto faz qual tipo de ateísmo alegar. Os argumentos estão aí e merecem o mínimo de resposta por si, coisa que não veio do senhor. Em segundo lugar, você precisaria do aval do senhor Dawkins para afirmar qualquer coisa sobre suas motivações. Ainda assim, você sequer chegou a tocar o assunto tratado no texto. Em suma, seu comentário não só é dispensável, mas completamente desprezível. Gostaria muito que o senhor voltasse quando tivesse algo a mais do que sua vontade de falar.

    • Fernando Caes
    • Posted 13 de outubro de 2010 at 11:33
    • Permalink

    Para se dividir radicalmente razão e emoção também é necessário esquecer muitos detalhes, como por exemplo, Kant e toda a tradição filosófica alemã…

    • Jairo Moura
    • Posted 13 de outubro de 2010 at 11:49
    • Permalink

    Analfabetos funcionais também passam por cima de muitos detalhes. Talvez fosse bom reler a oração subordinada “Por nosso condicionamento” e também o advérbio “dificilmente”.

    Se acha mesmo que citar um autor e uma tradição que sequer diz a mesma coisa sobre o assunto vão creditar valor ao seu comentário, sugiro tentar outra vez.

    • Fernando Caes
    • Posted 13 de outubro de 2010 at 14:52
    • Permalink

    “Por nosso condicionamento, dificilmente razão e emoção se encontram. Em geral, separamos bem as duas esferas e desligamos uma sempre que a outra está em ação.”

    Como não diz a mesma coisa sobre o assunto? Já ouviu falar no Romantismo alemão?

    Se Para Kant, a coisa em si é inacessivel, pois tudo é mediado pela interpretação do homem, ou seja, suas emoções, então, como separar a razão desta mesma interpretação sempre atravessada pela emoção? Mania de “cientista” achar que sempre se posta neutro diante do objeto, não sei como isso se sustentou até hoje, talvez seja porque “não importa o quanto demonstremos a tal ou qual pessoa o quanto sua crença – não necessariamente religiosa – precisa ignorar detalhes para se sustentar, pois haverá sempre uma zona de (des)conforto que dará legitimidade ao forte apelo emocional.”

    Mas seila, sou apenas um analfabeto funcional…

    • Jairo Moura
    • Posted 13 de outubro de 2010 at 20:53
    • Permalink

    Tanto é que sequer reiterou seu argumento anterior de que eu fazia separação estanque. Deve ter lido outra vez e percebido a besteira que falou.

    Cita Kant, mas ele não fazia parte do movimento romântico alemão. Quando digo que não dizem a mesma coisa é que os românticos, em geral, têm diferentes opiniões – dentre outras coisas – sobre o próprio Kant, como Schopenhauer e Nietzsche, ou Schiller e Schelling.

    Kant acreditava que tudo passava pela razão, mas o que tal filósofo ignorava era a miríade de ações instintivas que sequer passam pela nossa fonte de processamento consciente.

    Em tempo: “seila” mostra que não só é analfabeto funcional no que tange a leitura…

    • rubens
    • Posted 14 de outubro de 2010 at 10:15
    • Permalink

    Jairo,

    Excelente texto. Na verdade o cristianimo não é somente um politeísmo camuflado como também amorfo, devido a essa “liberdade” de interpetação da “verdade”. Por isso é tão complexo pleitear lógica entre seus “fiéis”.

    Antonio,

    Não existiram e não existem países ateus, infelizmente. Sua concepção histórica de que foi o ateísmo que moveu ditaduras é sintoma de um preconceito que não se prova. A maioria da população nos países socialistas eram teístas. E Dawkins não possui crença e sim conclusões baseadas em evidencias. Mais uma coisa: Voce disse que há 2 tipos e enunciou 3.

    • Fernando Caes
    • Posted 15 de outubro de 2010 at 9:57
    • Permalink

    Jairo,

    é conhecimento do senso comum que Kant foi um dos mentores das ideias que engendraram o movimento romântico, leia sobre Schiller, Ficht ou Schelling e perceberá a besteira que falou, engraçado um alfabetizado como você não saber, precisa ler mais a sessão cotidiano do jornal.

    Rubens,

    Você quer pleitear lógica entre os fiéis? Que ridiculo!

    Reinvidicar uma racionalidade para a religião é um equivoco tão imbecil, é dizer que meu deus é melhor que o seu, uma perda de tempo que só desocupados como você aparenta ser se propõe.

    kkkk

    • Fernando Caes
    • Posted 15 de outubro de 2010 at 9:59
    • Permalink

    Mas você esta certo Jairo, a religião realmente não tem um lógica, só que perceber isso é simplesmente perceber que ela não é cientifica, mas o problema é que ela funciona por outras leis não cientificas mesmo, você só chega a superficie do problema, só descreve a exterioridade, muito superificial.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 15 de outubro de 2010 at 10:02
    • Permalink

    Ser mentor é diferente de fazer parte do movimento. Mostrei a você que não dizem a mesma coisa e confirmei minha primeira afirmação. Se quer continuar, fique à vontade.

    Não falei em lógica de religião. O texto fala sobre qualquer tipo de condicionamento e de como estar consciente sobre ele pode ajudar quem queira abandoná-lo.

    As suspeitas sobre sua (in)capacidade de ler e interpretar continuam…

    • rubens
    • Posted 18 de outubro de 2010 at 13:24
    • Permalink

    Fernando,

    Que deus?

    Deuses só existem no imaginário primitivo da humanidade, que por sinal deve alimetar ainda seu ego, com esta tendencia caótica em não coadunar as ideias, a ponto de querer criticar o texto acima, baseando-se na filosofia alemã do séc. XIX. Rir do próprio comentario já denota também que voce nunca será um filosofo, já pensou em Paulo Coelho? parece mais apropriado.

    • Fernando Caes
    • Posted 18 de outubro de 2010 at 13:39
    • Permalink

    É simples meu caro Rubens, o que o Jairo escreveu é o óbvio, é o senso comum, qualquer pessoa minimamente esclarescida – não sei se é o teu caso, sabe que religião é uma coisa e a lógica cientifica – que é nada mais que uma invenção do século XVIII – é outra coisa.

    Apontar os erros na religião por esta não comportar uma lógica que lhe é estranha é no minimo perda de tempo, no minimo…

    A filosofia alemã do século XIX só pariu homens como Marx, Hegel e Kant, se eles não servem enquanto “guias” para pensarmos o agora, então, diga-me em quem devo fundamentar minhas ideias, creio que não seja no Paulo Coelho não é mesmo, seria no Google?

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 18 de outubro de 2010 at 20:52
    • Permalink

    E, mais uma vez, falha miseravelmente até mesmo em entender o texto. Como bem disse da última vez, seu propósito é falar “sobre qualquer condicionamento e de como estar consciente sobre ele pode ajudar quem queira abandoná-lo.”

    É ainda mais decepcionante que não tenha entendido o escopo, pois não vejo como filósofos históricos (Marx e Engels) e racionalistas da mente (como Kant) possam ajudar em um texto que trata sobre filosofia da linguagem.

    Como de costume, precisa ignorar termos explícitos do texto para sustentar uma crítica vaga e destoante. “Tomemos por exemplo os dogmas católicos” já estaria de bom tamanho para mostrar que é apenas uma tentativa de ilustrar o ponto feito anteriormente e retomado na conclusão:

    “orque a maturidade consiste em estar consciente das limitações do condicionamento a que fomos submetidos e racionalmente investir em atitudes que visem a mudar o que não mais nos serve, o que se mostrou prejudicial e inadequado para o nosso projeto de vida.”

    Não deve ser muito difícil notar que não há referência a nenhuma religião, tampouco há tentativa de dizer que há um projeto certo.

    Infelizmente, minhas suspeitas quanto à (in)capacidade de ler e interpretar estão cada vez mais fundamentadas.

    • Caes
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 8:57
    • Permalink

    Jairo,

    Seus ataques não me dizem nada.

    1 não estou colocando em xeque a sua capacidade “filosófica”,

    2 usei Marx e Engels, pois eles são do séc XIX e isto quer dizer que, tanto eles quantos seus interlocutores são extremamente importantes até hoje.

    3 É um erro ingenuo achar que Kant não tem importancia para os estudos da linguagem, quando KANT ainda é discutido pelos estudiosos deste campo, há, inclusive, teoricos que são definidos como neo kantianos, como Cassirer.

    4 O que eu critico em seu texto é a conclusão óbvia que – como ñ poderia deixar de ser diferente – você chegou.

    5 estar consciência de um condicionamento para livrar-se dele é sujeitar-se à outro condicionamento, portanto, você precisa ler Kant para desentrelaçar este problema, ou, no minimo, sujeitar-se à um condicionamento de forma menos ingenua, achando estar “livre”.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 10:26
    • Permalink

    São importantes em suas respectivas áreas, que não é a que está em questão. Guarde sua ingenuidade para si, pois até agora pouco mais disse do que citar nomes. Óbvia ou não, me interessa mais a validade, inquestionável.

    De volta à sua (in)capacidade de ler e interpretar, temos agora de procurar no texto o trecho no qual falei que não estaria sujeito a outro condicionamento ou, ainda, quando falei em liberdade.

    Mais uma vez, explicando detalhes que o senhor passa por cima:

    “Porque a maturidade consiste em estar consciente das limitações do condicionamento a que fomos submetidos e racionalmente investir em atitudes que visem a mudar o que não mais nos serve, o que se mostrou prejudicial e inadequado para o nosso projeto de vida”.

    Projetos de vida são pessoais e é a partir do objetivo traçado que se podem definir coisas como “prejudicialidade” ou “inadequação”.

    O que o senhor realmente critica é o espantalho que só existe em sua mente.

    Vem vagando, comentário após comentário, e sequer chega a falar de algo que realmente está escrito ou pode ser deduzido a partir do texto.

    “Inutilia truncat”.

    • Caes
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 11:18
    • Permalink

    Ok, Jairo Moura, já que insiste em chamar quem você não conhece de analfabeto.

    Vamos aos fatos:

    “Por nosso condicionamento, dificilmente razão e emoção se encontram. Em geral, separamos bem as duas esferas e desligamos uma sempre que a outra está em ação.”
    Equivoco primeiro, crer que razão e emoção, mesmo a partir de um condicionamento, não se encontram é colocar a razão acima do próprio sentido, que também é emoção, logo, sua afirmação se desdobra num platonismo barato e ingenuo. A emoção, mesmo que o sujeito não acredite esta sempre presente na razão, não há razão pura, acreditar nisso é como acreditar que alguem consegue ser neutro diante da existência.
    “Assim, não importa o quanto demonstremos a tal ou qual pessoa o quanto sua crença (…) precisa ignorar detalhes para se sustentar”
    Equivoco segundo, toda e qualquer explicação do mundo deve ignorar detalhes, não existe nenhum Funes, o memorioso, não existe nenhuma teoria que explique o mundo que apreenda o mundo em sua totalidade, sempre havera falhas, pois toda e qualquer explicação é também uma perspectiva, e só podemos pensar em perspectiva no plural.
    “Uma vez desmistificada a genealogia da verdade, resta admitir que ela não perde seu peso.”
    Equivoco terceiro, se esta se referindo à Nietzsche, você está esquecendo um detalha fundamental: cada verdade tem o exato peso daquele que a discursa.
    “Ignorar detalhes é uma forma econômica de levar a vida – não há dúvidas quanto a isso.”
    Equivoco quarto, ÓBVIO que ignorar detalhes é tornar a vida mais fluida, no entanto, você pode me apontar alguem que não vive assim, ou haveria um Funes entre nós? Aquele que não ignorava nenhum detalhe da vida, e que por isso mesmo, preferiu se esconder num quarto escuro, pois a vida tornara-se um peso demasiado para ele.
    “É uma maneira simples e eficiente de encarar modelos artificiais impostos de fora para dentro e, ao mesmo tempo, ter noção de identidade para um grupo que precisa partilhar determinadas ideias.”
    Equivoco quinto, se há modelos artificiais impostos de fora para dentro, penso que você pressupõe que há um modelo verdadeiro de fora para dentro, o que cairiamos mais uma vez num platonismo caduco.

    “Porque a maturidade consiste em estar consciente das limitações do condicionamento a que fomos submetidos e racionalmente investir em atitudes que visem a mudar o que não mais nos serve, o que se mostrou prejudicial e inadequado para o nosso projeto de vida.”

    Equivoco sexto, se a maturidade, que arrogantemente você acredita ser o que você acredita nos permite investirmos em atitudes que mudem aquilo que nos serve, eu pergunto ao sr em que ponto se encontra a legitimidade para você achar que sabe o que serve ou não à um cristão, por exemplo? Se você escreve este texto para si, então, não escreva no plural, não tenha a presunção de querer dizer que aquilo que os outros acreditam não lhes serve, pois só eles podem decidir isso.

    “E, acima de tudo, porque não há simplesmente a inocência de quem segue tal condicionamento: há, no polo ativo, sempre alguém disposto a se aproveitar da ingenuidade e da ignorância alheia.”
    Há aproveitadores em todas as áreas, o que faremos?

    • Jairo Moura
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 11:33
    • Permalink

    “Equivoco primeiro, crer que razão e emoção, mesmo a partir de um condicionamento, não se encontram é colocar a razão acima do próprio sentido, que também é emoção, logo, sua afirmação se desdobra num platonismo barato e ingenuo. A emoção, mesmo que o sujeito não acredite esta sempre presente na razão, não há razão pura, acreditar nisso é como acreditar que alguem consegue ser neutro diante da existência.”

    Equívoco na sua interpretação. Não separei nenhuma das duas. Usei “dificilmente” porque reações emocionais (sistema límbico) são disparadas em regiões diferentes do cérebro, quando comparadas à atividade do neocórtex, ligada ao que chamamos de razão. As duas raramente estão ativas ao mesmo tempo. Logo sua afirmação não procede e a minha resta confirmada. Também não estabeleci nenhuma hierarquia com a diferenciação (mais uma má interpretação sua?). Não aleguei que há razão pura (outra?) e não falei em momento algum de minhas crenças (a terceira somente no primeiro parágrafo?)

    “Equivoco segundo, toda e qualquer explicação do mundo deve ignorar detalhes, não existe nenhum Funes, o memorioso, não existe nenhuma teoria que explique o mundo que apreenda o mundo em sua totalidade, sempre havera falhas, pois toda e qualquer explicação é também uma perspectiva, e só podemos pensar em perspectiva no plural.”

    “Equivoco terceiro, se esta se referindo à Nietzsche, você está esquecendo um detalha fundamental: cada verdade tem o exato peso daquele que a discursa.”

    Equívoco, mais uma vez, na sua interpretação. Não falei que alguma explicação possa existir sem ignorar detalhes. De fato, expliquei como conceitos que usamos em ciência, como “bípedes” (seres com duas pernas) e a classificação de acordo com o sentido da visão precisam ignorar detalhes também. Nada disso tira seu mérito explicativo e, como bem deve ter lido, começo o parágrafo seguinte com uma pergunta retórica: “Há algum problema nisso?”. É um equívoco maior ainda se um terceiro tentar procurar no meu texto onde falo de unicidade ou de prevalência de qualquer verdade sobre outra. Falei, isso sim, de adequação quando se estabelece o objetivo. Mas nada mais do que já tinha explicado em outros comentários, devidamente ignorados pela sua (in)capacidade de ler e interpretar.

    “Equivoco quinto, se há modelos artificiais impostos de fora para dentro, penso que você pressupõe que há um modelo verdadeiro de fora para dentro, o que cairiamos mais uma vez num platonismo caduco.”

    Mais um equívoco de interpretação. Não falei que há um modelo verdadeiro, mas há um mais adequado, quando definido o objetivo. Se quero conforto, drogas podem ser a solução, mas só se meu objetivo não for permanecer lúcido. Acho engraçado que começa dizendo que há equívoco quando diz que minha conclusão é óbvia… Talvez seja problemas com interpretação…

    “Equivoco sexto, se a maturidade, que arrogantemente você acredita ser o que você acredita nos permite investirmos em atitudes que mudem aquilo que nos serve, eu pergunto ao sr em que ponto se encontra a legitimidade para você achar que sabe o que serve ou não à um cristão, por exemplo? Se você escreve este texto para si, então, não escreva no plural, não tenha a presunção de querer dizer que aquilo que os outros acreditam não lhes serve, pois só eles podem decidir isso.”

    Mais um equívoco seu: usei “maturidade” no mesmo sentido que a ética atual dá ao vocábulo inglês “accountability”, que, em outras palavras, trata de dar consciência e responsabilidade às atitudes de cada um, desde que devidamente conscientes dos processos que os levaram a ter tais ações. Eu pergunto onde falei como um cristão deve ou não se portar em relação à sua crença. Apenas descrevi o que acontece com aqueles que se consideram católicos “não-praticantes”, de forma exemplificativa e ilustrativa. Mais uma vez, critica o espantalho que criou do texto e não toca do assunto que ele trata. Se escrevo o texto no plural é uma escolha consciente minha e é irônico que o senhor, que me chama de arrogante, queira que eu me adeque a um preceito seu.

    “Há aproveitadores em todas as áreas, o que faremos?”

    O que quiser fazer.

    • Caes
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 12:52
    • Permalink

    I
    Há equivocos na sua fala, pois ela é um desfile de senso comum, e fala obviedade pelo mesmo motivo.

    A sua afirmação esta confirmada por indícios biológicos, com estas explicações pseudo cientificas tudo está explicado, engraçado, eu nunca havia encontrado uma definição definitiva de como funciona a consciência até ler seu texto, finalmente uma explicação que não ignora detalhes.

    Aliás, antes de tudo, faremos um exercício genealógico, de qual razão e emoção parte o seu fundamento, isto é, quando você diz: razão ou emoção esta partindo de qual definição dos mesmos, ou simplesmente parte do senso comum do que isso significa?

    Mas em geral, minha resposta é: explicações biológicas para entender emoção e razão? me poupe.

    II

    Se sua própria explicação ignora detalhes, então porque ela deveria ser relevante para definir qual é o melhor objetivo para um ser humano? Se não esta definindo objetivo algum, volto à tecla: obviedade.
    Se deve haver uma adequação sobredeterminada por um objetivo, e se não defende uma hierarquização dos diferentes objetivos existentes em nossa cultura, então qual é o sentido do seu texto?

    “mas há um mais adequado, quando definido o objetivo.”

    Veja, um juizo, a não ser que você assuma uma posição relativista em que qualquer objetivo definido seja válido, caso contrário, esta caindo em contradição, pois esta hierarquizando.

    “ Eu pergunto onde falei como um cristão deve ou não se portar em relação à sua crença.”

    Leia acima.

    “Mais um equívoco seu: usei “maturidade” no mesmo sentido que a ética atual dá ao vocábulo inglês “accountability”, que, em outras palavras, trata de dar consciência e responsabilidade às atitudes de cada um, desde que devidamente conscientes dos processos que os levaram a ter tais ações.”

    Você precisa aprender a escrever melhor então, pois, como deve saber, não se escreve uma coisa sem defini-la exaustivamente, pois há muitos sentidos para a palavra maturidade, anyway, qual consciência e responsabilidade você deseja dar à um católico, que ele não é católico pleno?
    Como fará isso? mostrando à ele que sua religião carece de fundamentos lógicos? Mais uma vez juízo da sua parte. Bem, bastaria você ler meu primeiro comentário.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 19 de outubro de 2010 at 15:39
    • Permalink

    “Há equivocos na sua fala, pois ela é um desfile de senso comum, e fala obviedade pelo mesmo motivo.”

    Tentou apontar os motivos e foi refutado em todos. Agora volta à fase vaga e rasteira. Não funciona.

    “A sua afirmação esta confirmada por indícios biológicos, com estas explicações pseudo cientificas tudo está explicado, engraçado, eu nunca havia encontrado uma definição definitiva de como funciona a consciência até ler seu texto, finalmente uma explicação que não ignora detalhes.”

    Pois é. Engraçado que expliquei o que alegou em contrário e agora não serve mais. É tão incapaz de ler e interpretar que sequer percebeu que não falávamos de consciência, entendida atualmente como epifenômeno da matéria. Falávamos de regiões do cérebro responsáveis por estímulos e respostas, área bem estudada pelas neurociências.

    “Aliás, antes de tudo, faremos um exercício genealógico, de qual razão e emoção parte o seu fundamento, isto é, quando você diz: razão ou emoção esta partindo de qual definição dos mesmos, ou simplesmente parte do senso comum do que isso significa?”

    Partindo da área específica ativada durante o processo e tentando explicar as definições consensuais, podemos dizer que emoção é, em boa parte, o que é controlado durante a atividade do sistema límbico, enquanto razão se refere a ações realizadas pelo neocórtex. É uma explicação plausível e suficiente, que explica, por exemplo, por que parecemos apáticos durante momentos de grande concentração e por que temos dificuldades em raciocinar durante momentos de estresse.

    “Mas em geral, minha resposta é: explicações biológicas para entender emoção e razão? me poupe.”

    Poupe-se a si mesmo. Não só entendemos bem, como agimos em casos de desvio com medicamentos e tratamentos físicos.

    “Se sua própria explicação ignora detalhes, então porque ela deveria ser relevante para definir qual é o melhor objetivo para um ser humano? Se não esta definindo objetivo algum, volto à tecla: obviedade.”

    Nunca aleguei relevância para minhas afirmações. Estão aí para análise. As suas críticas é que sequer chegam a tocar os pontos levantados no texto. Falha, inclusive, em ler todos os comentários nos quais deixei claro que o objetivo é algo pessoal e intransferível. Apenas as atitudes podem ser classificadas como mais ou menos adequadas depois que o indivíduo o define. Volto à tecla: analfabetismo funcional.

    “Se deve haver uma adequação sobredeterminada por um objetivo, e se não defende uma hierarquização dos diferentes objetivos existentes em nossa cultura, então qual é o sentido do seu texto?”

    Lê quem quiser. Está exposto por isso. Se você, como indivíduo, não acha sentido em lê-lo, poupe o seu tempo para outras coisas. Se achou algum sentido, que analise se foi proveitoso e o que pode fazer com a resposta.

    “Veja, um juizo, a não ser que você assuma uma posição relativista em que qualquer objetivo definido seja válido, caso contrário, esta caindo em contradição, pois esta hierarquizando.”

    A validade do objetivo é calculada de forma subjetiva pelo indivíduo. Até aí, nada contradito. O indivíduo escolhe o que acha válido e daí persegue os meios adequados para satisfazê-lo. Se isso é assumir uma posição relativista, que o seja. Mas é um conceito muito amplo, se for o caso, e pode ser usado para muitas coisas. Sobre a hierarquização, ela só pode ter sentido depois de estabelecido o objetivo e diz respeito somente à maior ou menor adequação aos resultados desejados.

    “Leia acima.”

    Não mostrou. Voltamos ao vago e ao rasteiro. Não funciona.

    “Você precisa aprender a escrever melhor então, pois, como deve saber, não se escreve uma coisa sem defini-la exaustivamente, pois há muitos sentidos para a palavra maturidade, anyway, qual consciência e responsabilidade você deseja dar à um católico, que ele não é católico pleno?
    Como fará isso? mostrando à ele que sua religião carece de fundamentos lógicos? Mais uma vez juízo da sua parte. Bem, bastaria você ler meu primeiro comentário.”

    Não sei se percebeu, mas é um ensaio curto, de duas laudas, que visa a somente lançar ideias e questionamentos. Se você não sabia do sentido usado, azar o seu. Procure estudar e suprir seus buracos no conhecimento. No mais, seria muito honesto de sua parte se parasse de imputar a mim palavras que não saíram do texto, nem de qualquer outro comentário. Não pretendi, nem pretendo — muito diferente do senhor — dizer como tal ou qual pessoa deve agir. Limitei-me a descrever um fato e analisá-lo dentro do contexto proposto. Mas, bem, pra isso, bastaria você ter lido e interpretado o texto.

    • Caes
    • Posted 20 de outubro de 2010 at 10:35
    • Permalink

    “Pois é. Engraçado que expliquei o que alegou em contrário e agora não serve mais. É tão incapaz de ler e interpretar que sequer percebeu que não falávamos de consciência, entendida atualmente como epifenômeno da matéria. Falávamos de regiões do cérebro responsáveis por estímulos e respostas, área bem estudada pelas neurociências.”

    Entendido atualmente? entendido atualmente porquem, cara pálida?

    Como eu disse, seu texto é ingênuo e usa de UM discurso epistemológico – usa da biologia para descrever o homem – como se este fosse uma explicação definitiva sobre a mente, emoção, razão, porém, não consegue sequer definir o que é razão, apelando para conceitos abstratos biológicos, que não entende, mas somente descreve processos, mas entender/interpretar é só um detalhe que deve ser ignorado para sua explicação fazer sentido não é?

    Não aleguei nada, apenas satirizei a patética sistematização que tenta fazer dos homens, falando o óbvio, mas não entrando, em nenhum momento, em qualquer problemática relevante.

    • Error: Não foi possível criar o diretório uploads/2017/05. O diretório pai possui permissão de escrita?
      Jairo Moura
    • Posted 20 de outubro de 2010 at 11:05
    • Permalink

    Entendido por filósofos da mente e neurocientistas, como Steven Pinker (“Como a mente funciona” e “Do que é feito o pensamento”), Daniel Dennett (“Brainstorms”, “Neuroscience and Philosophy”) e Sam Harris (“The Moral Landscape”), só para citar alguns.

    Como eu disse, meu texto nunca propôs coisa alguma definitiva, nem pretendeu ser verdade absoluta sobre qualquer aspecto. Mais uma vez, critica o espantalho que criou. Não funciona.

    Não sei quanto a você, mas nunca vi conceitos concretos… Se usei os da biologia, é porque eram pertinentes para os aspectos biológicos discutidos.

    Sua sátira é tão vazia e rasteira quanto seus supostos comentários. Foi respondido e refutado em todas as alegações levantadas. Quer sair pela tangente? Faz bem mesmo…

    • Rubens
    • Posted 22 de outubro de 2010 at 16:20
    • Permalink

    Fernando,

    Tens razão, é muito simples!

    “a ciencia é uma invenção do séc. XVIII”!

    Tremo de pensar em ler sua definição de revolução!

    Seus conceitos são tão pedantes quantos sua pretensa leitura. Não é por menos que debate anacronicamente e sem se posicionar, tipico de alguem que assume um imediatismo pseudo-relativista, que come D.Joõa VI e arrota Viriato.


One Trackback/Pingback

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Francisco Maximiano, André Cancian. André Cancian said: [garagem] Dos detalhes, de Jairo Moura http://bit.ly/chbNSA […]