Author Archives: Bruno Teixeira

Bruno C. Teixeira tem 26 anos e mora em São Paulo, SP. Bioquímico formado pela Universidade de São Paulo, já trabalhou de Office Boy a Geneticista, onde contribuiu com o sequenciamento de fragmentos do genoma da Jararaca. Hoje atua na área de produtividade da Indústria Farmacêutica.

Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, disponibilizaram recentemente resultados preliminares de um estudo no qual 2563 ateus, agnósticos, humanistas, livre-pensadores e céticos responderam a um questionário pela internet.

Uma das primeiras informações interessantes é que apenas 25% dos não-crentes se autointitulam como ateus. Talvez essa tendência ocorra pelo fato de que a palavra “ateu” remeta a um sentimento de preconceito largamente arraigado na sociedade. Algo como: “tudo bem não acreditar em Deus, mas ser ateu é demais”.

Aproximadamente 30% dos respondentes teve consolidado o pensamento não-crente entre 16 e 20 anos.

O estudo também verificou que ateus são fortemente antiteístas e antirreligiosos, reportando, inclusive, atitudes hostis para com a religião e espiritualidade. Por exemplo, mais de 90% dos ateus entrevistados concordam que a religião se opõe ao progresso e às mudanças sociais. Agnósticos, por outro lado, tendem a ser menos hostis, possuindo uma tendência maior a serem indiferentes e, em alguns casos, até simpáticos com a religiosidade.

Os pesquisadores separaram as questões morais em dois tipos: Valores Individualizantes (igualdade, justiça, bondade e autonomia pessoal) e Valores de Ligação e Pureza (lealdade, pureza e respeito pela autoridade e tradição). Os ateus possuem forte tendência a respeitar os valores individualizantes, porém uma forte tendência a rejeitar os valores de ligação e pureza.

Obviamente, houve uma forte correlação negativa entre o ateísmo e a crença em vida após a morte. Entretanto, o que surpreende neste estudo é o fato de que 1,4% dos ateus afirmaram possuir alguma crença em vida após a morte e em espíritos; mas ainda mais surpreendente é o fato de esse número chegar a 29,2% para os outros não-crentes.

Este estudo demonstra uma forte diferença no modo de pensar entre ateus, agnósticos e outros descrentes. Fica bastante evidente que os ateus são mais confiantes e sentem ter tido algum benefício com sua descrença. Segundo os autores, essa confiança e sentimento de ganho foram especialmente fortes entre ateus e podem refletir a aceitação de uma visão coerente de mundo, possivelmente uma com base científica.

Ao final, o estudo separa aqueles que se autodenominaram ateus, agnósticos e ateus-agnósticos, para descobrir que as atitudes dos ateus-agnósticos são intermediárias aos outros dois. Quando falamos de Atitudes Antirreligiosas e espiritualidade, os ateus-agnósticos situam-se mais próximos dos ateus. No quesito confiança em seu sistema de crença, os ateus-agnósticos ficam exatamente entre os que se declaram somente ateus ou somente agnósticos.

O estudo completo está disponível aqui.

Uma das doutrinas mais interessantes do budismo é a ideia do desapego material. Nesta, observa-se que tudo na vida é transitório e, por isso, apegarmo-nos às pessoas e bens causa-nos mais tristeza que felicidade.

De modo semelhante, esse raciocínio poderia ser aplicado às nossas ideias e opiniões.

Pelo fato de não termos acesso absoluto às verdades do universo, todos os nossos pontos de vista são limitados e, portanto, potencialmente errados. Não sendo perfeitas, nossas opiniões constantemente sofrem ataques do mundo real.

A reação natural de qualquer pessoa, quando seus pontos de vista são questionados, é a tentativa de protegê-lo. Deveríamos analisar os argumentos e evidências favoráveis e desfavoráveis às nossas opiniões e concluir, com imparcialidade, se elas são válidas ou não.

O que acontece na realidade para a quase totalidade das pessoas é bem diferente disso: Não avaliamos de maneira livre de preconceitos os argumentos contrários àquilo que acreditamos. Estes argumentos são recebidos por nós como errados à priori e, mesmo que estejam corretos, não competem de maneira igual contra os nossos argumentos preferidos.

Devemos procurar estar conscientes da qualidade real dos nossos argumentos. Quanto de nossos argumentos só se sustenta por estarmos apaixonados pela conclusão que eles conduzem?

Assim como um rapaz com sua namorada, não vemos defeitos em nosso objeto de paixão. Isso ocorre porque deliberadamente desligamos nosso raciocínio crítico quando estamos apaixonados. Assim, as imperfeições passam totalmente despercebidas.

O desapego absoluto às ideias não é algo que possamos atingir, afinal somos humanos. O melhor que podemos fazer é nos perguntar toda vez que nos observarmos lutando contra as evidências: Quem está mais errado, eu ou as evidências?

Há duas semanas, depois de muita discussão, protestos e polêmica, a Argentina entrou para o seleto grupo de países a permitir a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A aprovação não foi nada fácil; afinal, foi necessário vencer o poderoso lobby da Igreja Católica.

O principal porta-voz da Igreja na Argentina, o cardeal Jorge Bergoglio, afirmou que o projeto aprovado é um “movimento do diabo para destruir o plano de Deus”.  Bergoglio, em seu desespero, é acompanhado do Papa Bento XVI que em outras ocasiões afirmara que o casamento gay é “uma ameaça à criação”.

O desespero da igreja não é sem motivo, a liberação do casamento gay é uma afronta a um dos dogmas centrais da Igreja: a ideia de que a família é composta por um homem e uma mulher. Mas mais do que isso, demonstra que cada vez mais a Igreja perde poder político devido à crescente secularização dos países ocidentais.

A Igreja que há seiscentos anos mandava soberana por quase toda a Europa; hoje, tem dificuldade em influenciar negativamente políticas favoráveis ao casamento homossexual, aborto e eutanásia em diversos países que outrora estiveram sob sua influência.

Outro inimigo, ainda mais implacável do que a secularização, é a invasão evangélica que, ano após ano, reduz o número de fiéis e, o pior: levando junto uma parte considerável do faturamento financeiro.

Por fim, o ataque que vem de dentro: as constantes denúncias de pedofilia. Ainda que o número de padres pedófilos seja mínimo, o impacto é grande na imagem de todos eles. Ainda mais danosa é a inação da Igreja em coibir e punir tal prática.

Que pai, depois de tantas denúncias, permitiria com tranqüilidade que seu filho continue frequentando a sacristia? O impacto dessa falta de confiança será sentido no futuro, já que as crianças que seriam doutrinadas hoje, deixarão de compor as massas católicas do futuro.

Hoje a Igreja é um impotente espectro do império que foi um dia. Porém, a decadência desta não significa que a religião de modo geral esteja perdendo importância.

Ao contrário desta tendência, as igrejas evangélicas continuam muito firmes na manutenção da religiosidade da população. Todos os dias, novos e maiores templos são abertos com o intuito de converter mais fiéis e arrecadar mais dinheiro. Esse crescimento desenfreado poderia representar um risco muito grande para a laicidade do Estado, porém, ao contrário da Igreja Católica, as igrejas evangélicas são descentralizadas e, por isso, não conseguem ser suficientemente organizadas para fazer frente a algumas minorias barulhentas.

Será que ainda estamos longe de viver em uma sociedade em que o respeito pelas minorias fala mais alto que o preconceito religioso? Quanto tempo ainda se passará até que políticas de interesse público tenham prioridade sobre aquelas que refletem apenas o interesse de alguns poucos líderes espirituais?

Com a decadência da religião organizada, o poder político dos líderes espirituais gradativamente desaparece, por esse motivo, talvez não seja um exagero ser otimista com as questões acima.

Quando Jesus Cristo voltar, todos aqueles que o aceitaram como seu salvador vão ressuscitar para viver junto de seus entes queridos em eterna felicidade.

O trecho acima descreve, com precisão variando de seita para seita, a crença da maioria dos cristãos. A bíblia não é nada clara quando fala no que exatamente podemos encontrar depois de morrermos. Em Lucas 16: 19-31, existe uma das estórias que, apesar de bastante infantil, dá mais detalhes de como seria o pós-morte. Conta sobre um homem rico e o mendigo Lázaro, que têm suas posições trocadas após morrerem; o mendigo aproveitava a eternidade nos seios de Deus, enquanto o homem rico passava sede no inferno.

Não há dicas na bíblia de como seria a rotina do dia-a-dia celestial. Precisamos comer depois de mortos? Podemos fazer sexo no céu? Mulheres mortas engravidam? Nada sobre isso é abordado na bíblia. Assim, os líderes religiosos, que não são nada bobos, podem dar suas impressões pessoais que, vez por outra, envolvem algum investimento em vida. Exemplos: compra de lotes no céu, depósitos no Banco de Deus, compra de indultos etc.

A eternidade é algo que, de certa forma, é inconcebível para nós. É difícil imaginar algo interessante o suficiente para se fazer continuamente por um ano, imagine então por cinquenta anos, um milhão de anos. Tentar imaginar a vida eterna é, pra dizer o mínimo, muita pretensão.

Penso que poucos crentes tenham parado para pensar seriamente em como seria viver para sempre em uma vida de perfeição estática. Não seria a perfeição, aliás, mais um termo inconcebível? Existe algo que possa escapar ao tédio? Temos necessidades dinâmicas, ou seja, sempre que saciamos uma delas, novas necessidades surgem. Se perfeição significa a total ausência de necessidades, haveria aí um paradoxo com a nossa própria natureza.

Saciar as nossas incessantes necessidades é um tremendo desafio. Fazê-lo por toda a eternidade é um desafio digno da onipotência divina, outra coisa que é fácil dizer mas impossível conceber.

Foi ao ar recentemente mais uma excelente fonte de informação científica. O programa Fronteiras da Ciência, mediado pelo Prof. Marco Idiart do Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vai ao ar às segundas-feiras na rádio da UFRGS. A ideia do programa é discutir o que é e o que não é ciência e, para isso, o Prof. Idiart recebe diversos outros cientistas para, em um debate descontraído, discutir temas relacionados às suas áreas de especialização. Um dos convidados mais assíduos é o Prof. Renato Flores do Departamento de Genética, que, com comentários ácidos e uma didática invejável, torna o programa bastante divertido. Para aqueles que, como eu, não moram perto dos pampas gaúchos, existe links para download dos episódios no site, incluindo um guia de estudo para cada um deles.

Além deste excelente programa, existe o já bastante conhecido Science Blogs Brasil que, constituído por 33 blogs, traz as mais variadas faces da ciência. Os grandes destaques do Science Blogs são os posts com o selo do Research Blogging que traduzem as mais fantásticas, interessantes e bizarras pesquisas do reservado mundo das revistas científicas para o público leigo.

A interação entre aqueles que fazem ciência e o público leigo é, ainda, escassa. De modo geral, a ciência chega ao público pelos meios de comunicação com notícias fragmentadas, exageradas e, muitas vezes, irresponsável. Exemplo disso é demonstrado no artigo do Átila Iamarino do Rainha Vermelha, que acompanhou a recepção de sua própria publicação na imprensa, destacando das más interpretações desta até a confusão gerada no público.

Por esse motivo, são dignos de aplausos aqueles que saem de seus laboratórios para trazer ao público um pouco de ciência direto da fonte.

Há poucos dias, criacionistas tiveram mais uma importante derrota nos tribunais dos Estados Unidos. Um juiz federal negou ao ICR (Instituto para Pesquisas Criacionistas) a possibilidade de oferecerem o grau de Mestrado em Ciências com “uma perspectiva do criacionismo bíblico-científico”. Atribuindo a jovens crentes o grau de Mestre em Ciências, o ICR poderia diminuir a escassez de Criacionistas “Cientistas” que promovam a Teoria da Terra Jovem.

As batalhas nos tribunais americanos não são nada novas. Começaram com o Julgamento de Scopes em 1925, no qual um professor do ensino médio, John Scopes, foi acusado do ensino ilegal da Teoria da Evolução no Estado do Tennessee. Esse julgamento ganhou grande notoriedade nos EUA, juntando grandes juristas tanto do lado da defesa quanto da acusação e até virou o filme O Vento Será Tua Herança, em 1960. Ao final do julgamento, Scopes foi considerado culpado, o que lhe garantiu uma multa de U$ 100, o equivalente nos dias de hoje a aproximadamente R$ 2.200. O julgamento elevou as proibições em diversos outros estados que só seriam derrubadas em 1968 no julgamento Epperson vs Arkansas.

Susan Epperson era uma professora secundária que se viu em um dilema. Deveria seguir a recomendação de adotar um novo livro que discutia a evolução, ou seguir a lei que proibia o ensino da Evolução no Estado? Susan Epperson decidiu levar o caso à justiça e o estendeu até a Suprema Corte Americana, órgão máximo da justiça. Nesse julgamento, a corte deu ganho de causa aos professores, alegando que a proibição feria a primeira emenda da constituição americana, que prevê a separação do Estado das Religiões.

A saída adotada pelos criacionistas foi tentar ensinar o criacionismo e a Evolução juntos, como se tivessem a mesma importância dentro da ciência. Nascia aí o termo “Criacionismo Científico”. O caso foi novamente à justiça, em 1982, no Estado de Arkansas e, em 1987, na Suprema Corte dos Estados Unidos. Nesse segundo julgamento, uma carta, assinada por 71 ganhadores do Prêmio Nobel, 17 academias estaduais de ciências e outras 7 associações científicas, foi entregue aos juízes afirmando que o criacionismo não possuía nenhuma qualidade científica e era composta de diversos elementos religiosos. Assim, o criacionismo foi banido do currículo de ciências nos Estados Unidos.

O resultado desse julgamento obrigou uma mudança de estratégia por parte dos criacionistas: já que não podiam ensinar o criacionismo, eles passaram a atacar o evolucionismo e rebatizaram o Criacionismo para Design Inteligente, diferenciando-os apenas pelo detalhe de não nomear deuses como a inteligência responsável pelo design.

No distrito de Dover, na Pensilvânia, dois membros do conselho de educação, que por acaso também eram criacionistas da Terra Jovem, conseguiram convencer a maior parte do conselho que era inadmissível que um livro dissesse que o homem descende dos macacos, não havendo nada para contrabalancear essa hipótese. Desta forma decidiu-se que o Design Inteligente deveria ser ensinado para os estudantes.

Tammy Kitzmiller, mãe de um aluno, decidiu levar o caso à justiça, e argumentou o óbvio, que o Design Inteligente era apenas mais uma roupagem para o velho criacionismo. Os defensores convocaram, como testemunha, diversos especialistas. O primeiro deles foi Michael Behe, bioquímico e autor do famoso livro A Caixa Preta de Darwin, um dos marcos do Design Inteligente.

Em seu depoimento, Behe, sob juramento, assumiu não haver qualquer artigo revisado por pares que suporte o design inteligente. Além disso, assumiu que pelo conceito de teoria científica que o Design Inteligente se encaixava, a astrologia também poderia ser considerada como cientificamente válida. O juiz concluiu, desta forma, que o ensino do Design Inteligente era inconstitucional e assim, não mais poderia ser ensinado nas escolas.

Os criacionistas, para não caírem no ostracismo, reuniram esforços na difícil tarefa de embasar cientificamente suas afirmações e, para isso, procuram aumentar o número de crentes cientistas pagando altos prêmios, investindo em “pesquisas” e criando universidades. Felizmente, desde 1925, a justiça têm sido coerente colocando o criacionismo em seu lugar de direito: junto das doutrinas religiosas.

Algo comum que os três grandes monoteísmos modernos possuem é o fato de terem suas origens nas terras do Oriente Médio. Para o povo dos Estados Unidos do século XIX, em sua recente independência e nacionalismo, faltava uma história religiosa própria com seus próprios heróis.

Em 1823, Joseph Smith recebeu uma visita que resolveria esse problema: era Moroni, um mensageiro celestial que lhe trazia placas de ouro com a história de uma antiga civilização de imigrantes judeus na América.


Joseph Smith recebendo as placas de ouro de Moroni


As placas, segundo Smith, foram escritas em uma linguagem desconhecida, com letras parecidas com os hieróglifos egípcios. Para conseguir ler tais placas, Smith utilizava-se se óculos mágicos que transformava as letras desconhecidas em inglês.

No processo de tradução, Smith, que não sabia escrever, foi ajudado por Martin Harris, que, através de um cobertor, transcrevia o que ouvia de Smith ao ler as placas de ouro com seus óculos mágicos. O cobertor era necessário uma vez que Harris não podia ver as placas; caso isso ocorresse, Deus o puniria com a morte.

Harris, em sua crença, chegou a hipotecar suas propriedades com o objetivo de cobrir as despesas da tradução e publicação das escrituras. Lucy Harris, certa de que o marido estava sendo enganado, solicitou que ele a trouxesse algumas das páginas para se convencer de que Smith era realmente um profeta. Após receber as primeiras 116 páginas da tradução, Lucy as escondeu e desafiou Smith a reescrevê-las, o que seria uma tarefa simples caso Smith estivesse com o original em ouro.

Diante desse desafio, Smith disse que perdera a habilidade de traduzir, uma vez que Moroni, sob o pretexto de que Satanás estaria no poder da tradução roubada, tomara as placas já traduzidas. Dessa forma, Deus deu a Smith novas placas com a história de Néfi, uma história bastante semelhante. Assim que o trabalho de tradução foi finalizado, as placas e os óculos despareceram, impedindo que a humanidade tivesse acesso a uma das mais esplêndidas provas da existência divina.

Segundo o livro de Mórmon, no ano 600 a.C. um grupo de judeus foi guiado por Deus até as Américas, onde prosperaram até a separação deles em dois grupos rivais, denominados Nefitas e Lamanitas.

Jesus Cristo, segundo a narrativa, apareceu para os Nefitas logo após sua crucificação e ressurreição em Jerusalém, curando enfermos e selecionando 12 apóstolos. Ou seja, uma rotina muito semelhante à que encontramos na bíblia.

Os Lamanitas, o povo mau da estória, iniciam uma guerra que destruiria a todos os Nefitas. Deus, que assistira a tudo sem nada fazer, ficou irado com os Lamanitas, castigando-os com uma pele escura. Essa é a origem dos índios americanos.


Jesus visita os índios; naquele tempo, eles ainda eram brancos.


O momento histórico em que os Estados Unidos se encontravam contribuiu fortemente com a ampliação dessa nova doutrina. Os americanos estavam em plena “marcha para o oeste”, o nome bonito para a brutal e sistemática ampliação do território, que incluía eventualmente guerras e chacinas contra comunidades indígenas inteiras. Sob a ótica mórmon, essa expansão podia ser considerada como uma retomada das terras pertencentes aos Nefitas cristãos, que foram roubadas pelos Lamanitas pecadores.

Em dezembro de 1843, Joseph Smith queria aproveitar seu poder religioso e político e anunciou suas intenções de transformar seu país em uma medonha “teodemocracia global”. Para tanto, anunciou sua intenção de se candidatar para a Presidência dos Estados Unidos.

Os planos ambiciosos de Smith foram interrompidos pela dissidência de alguns de seus colaboradores mais próximos. Entre o principal dissidente estava William Law, um membro bastante respeitado na comunidade Mórmon. Law não apoiava a poligamia, como as leis estavam, ainda, do lado de Law (o trocadilho não é intencional), Smith acabou sendo preso e assassinado logo em seguida.

Hoje os Mórmons são divididos em diversas facções e, apesar da origem controversa e do final trágico de seu messias, seguem como uma das mais poderosas e influentes igrejas dos Estados Unidos. No Brasil, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possui 1036 capelas e conta com mais de um milhão de fiéis.

O início das religiões:

  1. O Culto à Carga
  2. A Cientologia
  3. Os Mórmons

L. Ron Hubbard foi um influente escritor de Ficção Científica na década de 40. Sua especialidade eram as chamadas Space Operas, estórias que contam sobre grandes impérios galácticos, guerras no espaço etc. Sua obra máxima conta a estória de Xenu, um maligno imperador galáctico que, num momento de crise populacional, decidiu trazer trilhões de alienígenas ao planeta Terra para matá-los com Bombas de Hidrogênio. As almas destes alienígenas, chamados Thetans, vagaram pela Terra pelos últimos 75 milhões de anos até poderem encarnar nos primeiros seres-humanos.

A história de Xenu daria um ótimo filme de ficção, não fosse por um detalhe: é a base da Cientologia.

Os cientologistas acreditam que somos seres imortais e que, para nos reaproximarmos de nossa natureza esquecida, precisamos passar por diversas terapias espirituais guiadas por membros mais antigos da Igreja. Essas sessões são bastante caras, estima-se que, para atingir os níveis mais altos, seja necessário gastar mais de U$ 500 mil dólares. O custo não é alto se considerarmos que nestes níveis ganharíamos, segundo eles, poderes telepáticos e telecinéticos.

A carreira de guru espiritual de Hubbard começou em 1948 quando, em um encontro de escritores de Ficção Científica, afirmou, segundo relatos, que a maneira mais fácil de ficar milionário era fundar uma religião. Em 1950 publicou Dianética, um livro de auto-ajuda no qual é apresentada a ideia de que podemos resolver problemas mentais com terapias que misturam psicoterapia e hipnose chamadas Audições. O livro foi um sucesso de vendas, preparando o terreno para o próximo passo, a abertura da, Igreja da Ciência Americana (sic), que, mais tarde, foi renomeada para Igreja da Cientologia.

Disfarçada de ciência, a Cientologia cresceu rapidamente, especialmente entre as celebridades. Hubbard, em sua perspicácia, percebeu que elas poderiam trazer credibilidade e muitos novos adeptos e, por isso, incentivava fortemente a doutrinação de pessoas famosas. Hoje, entre os cientologistas mais conhecidos estão John Travolta e Tom Cruise.

Além de suas crenças excêntricas, a Cientologia é bastante conhecida pela truculência com que trata aqueles que ousam revelar seus caríssimos segredos. Um dos casos mais conhecidos foi o de Paulette Cooper que, após publicar O Escândalo da Cientologia, sofreu 19 processos em diversas partes do mundo, também foi alvo da Operação Freakout (apavorar), que, com o objetivo de mandar Paulette para um hospício ou prisão, planejava culpá-la por atentados terroristas, ameaças a autoridades, entre outras atividades criminosas. O plano foi descoberto pelo FBI em 1977, garantindo alguns anos de prisão a diversos líderes cientológicos.

Outro detalhe que chama a atenção na cientologia é o fato de ser uma religião que prega a inexistência de deuses. Apesar disso, ainda está longe de ser uma crença razoável, já que os trocam por uma crença muitas vezes mais irracional, o que, para a nossa felicidade, é um terreno fértil para humoristas.

Em nossa próxima coluna discutiremos outra religião que, com lendas ainda mais criativas que as cientológicas, conquistou milhões de adeptos se aproveitando do egocentrismo do povo dos Estados Unidos.

O início das religiões:

  1. O Culto à Carga
  2. A Cientologia
  3. Os Mórmons