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Às 10:23 da manhã do dia 05 de fevereiro, vários céticos, em várias cidades de diferentes países do mundo, se reuniram para ingerir medicamentos homeopáticos no que seria, caso seus princípios fossem verdadeiros, uma overdose. Juntei-me ao protesto na cidade de Natal, acompanhado de Igor Santos, do Science Blogs.

Igor Santos e Jairo Moura, antes da "overdose"

Dividimos um frasco de 360 bolinhas adocicadas de Arsenicum Album com diluição de 30CH. É a diluição recomendada por Hahnemann, criador das leis da homeopatia, e significa que existe 1 molécula do princípio ativo para cada 1060 moléculas de solvente. Não fosse isso, teríamos realmente morrido, pois é uma substância altamente tóxica.

Tomei pouco menos da metade dos comprimidos e, mais de um dia depois, asseguro que não fui acometido por nenhum sintoma ou quaisquer efeitos colaterais. É claro que é exatamente o resultado esperado e não buscávamos com isso comprovar experimentalmente que a homeopatia não funciona, pois os trabalhos científicos e as meta-análises já deram cabo do assunto.

O propósito da manifestação era mais pedagógico, pois a maior parte da população sequer sabe como funcionam os princípios homeopáticos e como são preparados os medicamentos. E, para a minha surpresa, também descobri que havia facetas que desconhecia na indústria homeopática.

O Laboratório Homeopático Almeida Prado é, certamente, o mais conhecido dessa indústria e trabalha com diluições bem abaixo daquela indicada por Hahnemman, nomeando seus produtos com números, como em uma franquia de sanduíches. Ao ler a bula do medicamento 46 – indicado como laxante –, vemos na composição que cada comprimido contém: Cássia senna 1DH 0,020 g; Polygonum punctatum 1CH 0,015 g; Collinsonia canadensis 1CH 0,015 g; e Picossulfato de sódio 0,005 g.

Reparem que todos os compostos estão diluídos em escalas Hahnemanniana decimais (DH) ou centesimais (CH), exceto pelo Picossulfato de sódio – e é exatamente o que faz a diferença. É o mesmo princípio ativo encontrado no remédio “alopático” para problemas de prisão de ventre. Um exemplo deles é o Guttalax, que contém 7,5 mg/ml da substância (o equivalente a 15 gotas).

Frasco vazio de Arsenicum Album 30CH

Convertendo a concentração do similar homeopático, encontramos 5 mg em cada comprimido e a recomendação da bula é que se tomem dois por noite, gerando um total de 10 mg por dose. O Guttalax recomenda o uso para adultos de 10 a 20 gotas, com um total entre 5 a 10 mg de princípio ativo ingerido. Trocando em miúdos, os dois possuem aproximadamente a mesma concentração para o que se recomenda tomar por vez.

Então isso quer dizer que a homeopatia funciona? Pelo contrário! Quer dizer que engana-se quem toma o remédio 46 (e outros da Almeida Prado) com a ideia de tratar-se com remédio homeopático. Se ele funciona, é porque não segue os princípios homeopáticos de diluição ao extremo para o que realmente importa e gera efeitos no organismo.

Obviamente, o remédio não foi ingerido em doses além das recomendadas e nem foi sugerido que qualquer participante da manifestação o fizesse. Os medicamentos usados no protesto foram aqueles altamente diluídos, pois seriam, de acordo com a hipótese homeopática, os mais eficientes.

 

Para saber mais:

Bule Voador – ótima cobertura sobre o evento e textos sobre a homeopatia.

Desafio 1023 – página oficial do desafio 10:23 no Brasil.

Overdose homeopática – vídeo-diário de Igor Santos.

Há basicamente três correntes do ceticismo – a saber, o religioso, o filosófico e o científico. Dentre as três, o ceticismo científico é o sinônimo mais comum para aqueles que autodefinem “céticos”. Diz-se da pessoa que questiona as suas crenças com base no entendimento científico. Assim, as alegações passam a ser analisadas e consideradas verdadeiras se puderem passar por testes empíricos.

Resumindo assim, é impossível ser completamente cético. Há uma série de alegações que não podemos testar empiricamente e que, mesmo assim, tomamos por verdadeiras. E não falo aqui de testarmos nós mesmos todas as alegações possíveis, pois seria inviável tornar-se sapiente o bastante para empreender testes em determinadas áreas que exigem um aprofundamento que leva um bom tempo de nossas vidas.

Para as alegações do grupo testável e que não podemos testar nós mesmos, confiamos nos profissionais em suas respectivas áreas e nos fiscais de seus trabalhos. É aqui que entra um novo significado de ceticismo mais condizente com uma sociedade baseada na informação: devemos ser cautelosos e prudentes na escolha das fontes que nos informam. Não há ideia extravagante que não encontre excêntricos dispostos a defendê-la.

Enquanto a ciência simplesmente ignora alegações sobrenaturais ou paranormais, o manto de arrogância lhe é inevitavelmente associado pelos defensores de tais práticas. Não entendem eles que suas alegações escapam ao escopo empírico e que provas anedóticas não satisfazem o desejo legítimo de conhecer. Nem percebem a faceta tendenciosa de suas publicações autoafirmativas.

São – na falta de melhores palavras – pessoas desinformadamente informadas, que buscam somente as fontes que corroboram suas crenças íntimas e que as acham por um preço módico, mas nem sempre. Esconder ou ignorar as teses contrárias é um claro sinal de como as nossas crenças podem nos tornar os canalhas que não somos em outras tantas ocasiões. Que não entendam com isso, todavia, uma equivalência entre fontes científicas e folhetins apologéticos.

Não se trata de um simples apelo à autoridade, mas da aplicação do que se entende por ceticismo em nossos tempos com uma abordagem prática às fontes nas quais buscamos conhecimento. Uma verdadeira fonte científica dá detalhes sobre a metodologia, apresenta as teses concorrentes, bem como descreve os procedimentos, e qualquer um pode repetir os passos e comprovar o resultado por si. Em contrapartida, as “alternativas” à ciência comumente se baseiam em reduzi-la à ignorância e a argumentação não passa de autovitimização.

Ao invés de comprovarem que suas práticas funcionam através de procedimentos, limitam-se a repetir lamentos sobre como são ignorados pela ciência, comumente taxada de “preconceituosa” e “limitada”. Fazem crer que há uma conspiração mundial entre os cientistas para que pesquisas não sejam realizadas e, quando feitas, que os resultados sejam abafados. No entanto, quando há as pesquisas e os resultados são divulgados, resta-lhes ainda explicar por que a conclusão não lhes é favorável, geralmente alegando um interesse escuso que não sabem dizer exatamente qual.

Muitos dos esforços que mais conseguiram progredir em determinadas áreas dizem respeito à organização de um método capaz de resolver os problemas com os menores gastos de tempo e energia possíveis. Uma vez encontrado, um trabalho dispendioso e errático pode ser executado de maneira rápida e reprodutível. É assim com o método que Henry Ford implementou na indústria automobilística, só para citar um caso que mudou drasticamente o modo de produção.

Nas ciências, podemos destacar Aristóteles e seu método analítico e classificatório como o grande propulsor da biologia, por exemplo, bem como é de seu mérito a organização de uma gramática como a conhecemos e estudamos até hoje nas escolas. Mas é Descartes – junto com outros nomes como Bacon – quem nos dá a maior contribuição nesse sentido, pois seu método é, para todos os efeitos, uma forma de aprender a aprender.

Longe de qualquer coincidência, os princípios cartesianos são uma forte base para o método científico da forma como é atualmente concebido. Os passos de Descartes podem ser descritos em quatro conceitos: evidência, análise, síntese e recordação. Em resumo, devemos partir do fato, desmembrando-o em partes e vendo o que apresenta em comum sem negligenciar ou omitir qualquer informação.

Sabemos de nossas limitações e não é – como muitos fazem parecer – fraqueza admiti-las. Pelo contrário: é quando as abraçamos que podemos superá-las. Eis a função do método: retirar ao máximo as falhas de nossas avaliações pessoais e dar às nossas observações um caráter impessoal e despido, na medida do possível, de todos os mecanismos evolutivos que possuímos que são, muitas vezes, obstáculos para o conhecimento.

Ainda assim, é difícil dissociar ciência de cientista. No entanto, apontar erros do segundo grupo de modo algum invalida os méritos da instituição científica. Em primeiro lugar, porque é a mesma instituição que tem a função de desmascarar os erros provocados por seus membros – e não é com menor orgulho que o faz. Mesmo publicações periódicas indexadas podem ser ludibriadas por pessoas inescrupulosas, mas é usando o método que encontrarão as fraudes.

Ergo, a construção do método é uma tarefa empírico-filosófica de maior importância. É empírica porque precisa descrever e ser capaz de manipular os fenômenos observáveis da melhor forma possível – é sua raison d’être. E é filosófica porque, até onde lhe é permitida, é puramente especulativa – um produto de nosso pensamento abstrato. É, sem a menor das dúvidas, a criação da maior das ferramentas para satisfazermos a nossa propensão natural à curiosidade com o devido cuidado de selecionar as respostas mais satisfatórias e fiáveis.

E não é com menor admiração que estudos neurológicos começam a nos mostrar que o próprio cérebro trabalha de forma semelhante: nossa massa cinzenta não é somente responsável por processar informações de forma passiva, mas elabora hipóteses que serão testadas com os estímulos captados pelos sentidos. E a razão disso parece ser óbvia: realizar a tarefa com o menor dispêndio.

Observou-se menor atividade neural quando o estímulo visual pertence a um contexto previsível. Em outras palavras: o cérebro tenta antecipar o estímulo sensorial para operar com maior economia. Para entendermos com um exemplo: o cérebro cria a hipótese de encontrarmos a nossa televisão onde sempre esteve na sala-de-estar e terá menor atividade pela sua confirmação se comparado ao resultado inesperado de vermos um objeto diferente – ou mesmo a falta de um objeto – em seu lugar.

De modo algum existe a alegação de que a ciência é perfeita ou imune a críticas. Seu método pode ser melhorado? Por princípio, tudo pode. Os limites parecem ser aqueles que emergem das propriedades definidas no objetivo – e os da ciência dizem respeito ao que é passível de observação e reprodução controlada. Parece pouco, mas dificilmente encontraremos fenômenos realmente importante que estejam fora de seu escopo.


Referências:

ALINK, Arjen. SCHWIEDRZIK, Caspar M. et al. Stimulus Predicability Reduces Responses in Primary Visual Cortex. The Journal of Neuroscience, Washington, 2960, pp. 2960-2966, fevereiro de 2010. Disponível em: <http://www.jneurosci.org/cgi/reprint/30/8/2960.pdf>. Acesso em 10 jan. 2011. [em inglês]

ARISTÓTELES. Metafísica. Disponível em: <http://remacle.org/bloodwolf/philosophes/Aristote/tablemetaphysique.htm>. Acesso em 10 jan. 2010. [original grego com tradução para francês]

BACON, Francis. Novum organum. Disponível em: <http://temqueler.files.wordpress.com/2009/12/francis-bacon-novum-organum.pdf&gt;. Acesso em 10 jan. 2011. Do original latim Novum organum scientiarum (1620), disponível em <http://ia700402.us.archive.org/5/items/1762novumorganum00baco/1762novumorganum00baco.pdf>. Acesso em 10 jan. 2010.

DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 4. ed. Também disponível em: <http://ateus.net/artigos/filosofia/discurso-do-metodo/>. Acesso em 10 jan. 2011. Do original francês Discours de la méthode (1637), disponível em <http://s3.amazonaws.com/manybooks_pdfLRG/descarte1384613846-8pdfLRG.pdf>. Acesso em 10 jan. 2010.

LAKATOS, Imre. Ciência e pseudociência. Disponível em: <http://ateus.net/artigos/ceticismo/ciencia-e-pseudociencia/>. Acesso em 10 jan. 2011.

POPPER, Karl. Como a ciência evolui. Disponível em: <http://ateus.net/artigos/filosofia/como-a-ciencia-evolui/>. Acesso em 10 jan. 2011.

Quando se estuda a gênese religiosa do ponto de vista biológico, devemos entendê-la como um comportamento que tende a se espalhar ou desaparecer de acordo com a sua capacidade de dar benefícios aos indivíduos que têm o aparato necessário para o seu surgimento. Por mais diferentes que sejam as profissões da fé, conseguimos identificar aspectos que formam a base do modo de ser religioso, tais como a coesão de grupo, os rituais, a hierarquia, o culto a entidades, entre outros.

Não precisamos de muito para isso. Na verdade, a simples análise comparativa nos dá essas respostas. Mas não é tudo o que há para saber sobre o assunto. Historicamente, conseguimos traçar o surgimento e a evolução das religiões modernas, por exemplo, mas definitivamente não é o bastante para uma análise do surgimento do pensamento religioso.

Dessarte, cabe à biologia estabelecer quais mecanismos estabelecem a nossa propensão à religião, já que, com figuras divinas ou não, todas as civilizações estudadas do ponto de vista antropológico apresentaram tal ou qual forma de religiosidade.

Uma das teorias é a de que a religião surge como um produto selecionado pela evolução. Os que defendem tal hipótese sustentam suas afirmações na existência de um sistema cognitivo especializado na formação de representações ilusórias da imortalidade psicológica e de significados simbólicos. Tal sistema cognitivo teria sido selecionado devido às pressões sociais.

De certa forma, a religião organizada seria o produto parasita de tais mecanismos. Isso explicaria por que os dados culturais diferem tanto, mesmo partindo dos mesmos pressupostos biológicos. Temos, portanto, diferentes versões da vida após a morte, diferentes figuras – antropomórficas ou não – que representam o panteão, bem como formas diferentes de apaziguá-las.

De acordo com o entendimento, as crenças e os rituais religiosos servem como formas dispendiosas de comprometimento com o grupo. É uma forma de identificar os indivíduos que estão dispostos a sacrificar um pouco de sua quota e rechaçar aqueles aproveitadores que não contribuem para o bem do bando. Eles promoveriam, assim, a cooperação interna de acordo com uma seleção cultural de comportamento.

Essa cooperação se estende além do olhar vigilante dos outros membros do grupo quando há a crença de que um ser onisciente continua a vigiar-lhes mesmo quando estão sozinhos, dando-lhes recompensas ou punições a depender de seus atos. É uma ideia muito útil, principalmente quando o tamanho do grupo ou do espaço geográfico ocupado por ele aumenta para além do limite de monitoração de seus líderes.

Há, basicamente, três tipos de respostas: as filosóficas, as empíricas e as científicas. Todas elas buscam satisfazer níveis de curiosidade, que vão desde o prático até o simplesmente especulativo.

Chamo de filosóficas àquelas que dizem respeito ao nosso pensamento abstrato, como as noções de certo e errado, ou de bem e mal. São a forma que encontramos de conceber padrões de conhecimento para questões inerentes à nossa condição intelectual.

As empíricas versam sobre um acontecimento concreto e buscam tão-somente estabelecer uma conexão entre o input e a resposta a ele. Assim, aprendo que se tal comida me faz ter reações alérgicas, preciso tirá-la de meu cardápio. A explicação pouco importa, desde que funcione.

Já as científicas podem ser tanto especulativas quanto práticas, tendendo a ser uma mescla das duas. Uma teoria científica terá tanto mais validade quanto suas previsões corresponderem a acontecimentos. Há áreas, como a física teórica, nas quais a especulação prevalece por falta de meios para testá-las; e outras, como a medicina, em que a especulação está necessariamente vinculada aos resultados empíricos.

Por mais que goze de maior prestígio, as respostas científicas só serão mais adequadas se o objetivo pessoal for saber de relações que pretendem explicar toda uma sorte de acontecimentos. Sua pretensão é de ser aplicada ao mesmo fenômeno toda vez que ele se repetir, não limitando-se a um caso específico.

A muitas pessoas não interessa ir tão a fundo em suas crenças. E não estão erradas simplesmente por isso. O problema é quando tentam defendê-las usando uma resposta menos eficiente. É o caso das falácias mais comuns que buscam defender a existência de deus(es).

Destarte, encontramos pessoas tentando conectar a melhora repentina de um parente próximo a um ritual místico que buscava tal resultado. De forma superficial, podemos concluir que funcionou. No entanto, a conexão não resiste a uma análise estatística e a relação causal não se sustenta.

Também encontramos argumentos que buscam ceder a deuses o título de detentor de construções lógicas e padrões de moralidade. Partindo de nossas ideias, podemos imaginar outros seres racionais, supostamente superiores e, portanto, nossos criadores. Não seria mais do que uma racionalização de possibilidades.

Mas, se todos os argumentos têm sua funcionalidade, por que, então, tais argumentos não nos servem? Porque o objetivo de provar a existência de algo cai no domínio das respostas científicas e é inegável o fato de que todas as explicações para a existência de deus(es) falham nesse nível.

Em suma, posso continuar a creditar minha moral a deus(es), bem como agradecer a boa intervenção em casos aleatórios. Isso tudo diz respeito somente ao modo como me relaciono com o mundo, não como ele realmente é. Seguirei feliz, talvez, em minha crença, mas me decepcionarei profundamente cada vez que tentar justificá-la de modo imparcial.

Algo que nos interessa, a princípio, é a etimologia da expressão utilizada no título. Pois bem: Hocus Pocus, segundo o linguista Jairo Moura, “é pseudo-latim e tenta emular a primeira declinação dos nomes; os magos usavam porque era a língua ‘oficial’ para conjurar magias”; ou seja, é apenas uma expressão que os mágicos adotaram há alguns séculos para distrair a plateia; tão significativa quanto shazam!. Enquanto a platéia se concentrava no Hocus Pocus!, mil coisas aconteciam nas mãos do mágico e atrás das cortinas. Uma ótima forma de tapear o povão.

Devidamente apresentada a expressão, vamos ao que se segue: um amontoado de truques para você fazer e divertir sua família ou, quem sabe, tornar-se um grande bruxo, macumbeiro, médium, pastor, trombadinha… enfim, qualquer coisa relacionada à religião.

Brincadeiras à parte, é provável que você já tenha percebido o quanto as religiões tem-se utilizado das artimanhas dos mágicos para iludir multidões de pobres coitados (nem sempre a palavra pobre está relacionada ao financeiro, mas também ao intelecto). James Randi que o diga.

Sei que, apesar desta revista ser voltada, principalmente, ao público ateísta, muitos religiosos tem nos visitado, e mesmo esses hão-de convir que, pelo menos fora de suas religiões, o que não falta são charlatões posando de super-heróis.

Lembro que cheguei ao ateísmo após experimentar muitas religiões (nem todas ativamente, mas sem medo dos rituais). Acredito que não há modo melhor e mais divertido de compreender e trucar religiões do que quando já se experimentou pelo menos um pouquinho delas.

Proponho então aos ateus que, como eu, se divertem com as crendices; aos agnósticos, que não têm medo de experimentar para tirar a prova; e aos teístas que ousam arriscar a alma pela comprovação dos fatos; que comprem suas velas, aprendam a fazer farofa e energizem suas auras, porque testaremos, a partir dos próximos textos, milagre por milagre, mandinga por mandinga, cada superstição que pudermos imaginar, das mais light às mais pesadas (exceto os sacrifícios; a não ser que eu descubra uma seita em que se possa utilizar ratos de laboratório como sacrifício).

Chega de pilantras e charlatões gritando palavras mágicas e tapando nossa visão. Veremos o show de cima do palco, com os olhos no movimento por detrás das cortinas e ignorando as distrações.

Que rufem os tambores!

Foi ao ar recentemente mais uma excelente fonte de informação científica. O programa Fronteiras da Ciência, mediado pelo Prof. Marco Idiart do Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vai ao ar às segundas-feiras na rádio da UFRGS. A ideia do programa é discutir o que é e o que não é ciência e, para isso, o Prof. Idiart recebe diversos outros cientistas para, em um debate descontraído, discutir temas relacionados às suas áreas de especialização. Um dos convidados mais assíduos é o Prof. Renato Flores do Departamento de Genética, que, com comentários ácidos e uma didática invejável, torna o programa bastante divertido. Para aqueles que, como eu, não moram perto dos pampas gaúchos, existe links para download dos episódios no site, incluindo um guia de estudo para cada um deles.

Além deste excelente programa, existe o já bastante conhecido Science Blogs Brasil que, constituído por 33 blogs, traz as mais variadas faces da ciência. Os grandes destaques do Science Blogs são os posts com o selo do Research Blogging que traduzem as mais fantásticas, interessantes e bizarras pesquisas do reservado mundo das revistas científicas para o público leigo.

A interação entre aqueles que fazem ciência e o público leigo é, ainda, escassa. De modo geral, a ciência chega ao público pelos meios de comunicação com notícias fragmentadas, exageradas e, muitas vezes, irresponsável. Exemplo disso é demonstrado no artigo do Átila Iamarino do Rainha Vermelha, que acompanhou a recepção de sua própria publicação na imprensa, destacando das más interpretações desta até a confusão gerada no público.

Por esse motivo, são dignos de aplausos aqueles que saem de seus laboratórios para trazer ao público um pouco de ciência direto da fonte.