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Há, basicamente, três tipos de respostas: as filosóficas, as empíricas e as científicas. Todas elas buscam satisfazer níveis de curiosidade, que vão desde o prático até o simplesmente especulativo.

Chamo de filosóficas àquelas que dizem respeito ao nosso pensamento abstrato, como as noções de certo e errado, ou de bem e mal. São a forma que encontramos de conceber padrões de conhecimento para questões inerentes à nossa condição intelectual.

As empíricas versam sobre um acontecimento concreto e buscam tão-somente estabelecer uma conexão entre o input e a resposta a ele. Assim, aprendo que se tal comida me faz ter reações alérgicas, preciso tirá-la de meu cardápio. A explicação pouco importa, desde que funcione.

Já as científicas podem ser tanto especulativas quanto práticas, tendendo a ser uma mescla das duas. Uma teoria científica terá tanto mais validade quanto suas previsões corresponderem a acontecimentos. Há áreas, como a física teórica, nas quais a especulação prevalece por falta de meios para testá-las; e outras, como a medicina, em que a especulação está necessariamente vinculada aos resultados empíricos.

Por mais que goze de maior prestígio, as respostas científicas só serão mais adequadas se o objetivo pessoal for saber de relações que pretendem explicar toda uma sorte de acontecimentos. Sua pretensão é de ser aplicada ao mesmo fenômeno toda vez que ele se repetir, não limitando-se a um caso específico.

A muitas pessoas não interessa ir tão a fundo em suas crenças. E não estão erradas simplesmente por isso. O problema é quando tentam defendê-las usando uma resposta menos eficiente. É o caso das falácias mais comuns que buscam defender a existência de deus(es).

Destarte, encontramos pessoas tentando conectar a melhora repentina de um parente próximo a um ritual místico que buscava tal resultado. De forma superficial, podemos concluir que funcionou. No entanto, a conexão não resiste a uma análise estatística e a relação causal não se sustenta.

Também encontramos argumentos que buscam ceder a deuses o título de detentor de construções lógicas e padrões de moralidade. Partindo de nossas ideias, podemos imaginar outros seres racionais, supostamente superiores e, portanto, nossos criadores. Não seria mais do que uma racionalização de possibilidades.

Mas, se todos os argumentos têm sua funcionalidade, por que, então, tais argumentos não nos servem? Porque o objetivo de provar a existência de algo cai no domínio das respostas científicas e é inegável o fato de que todas as explicações para a existência de deus(es) falham nesse nível.

Em suma, posso continuar a creditar minha moral a deus(es), bem como agradecer a boa intervenção em casos aleatórios. Isso tudo diz respeito somente ao modo como me relaciono com o mundo, não como ele realmente é. Seguirei feliz, talvez, em minha crença, mas me decepcionarei profundamente cada vez que tentar justificá-la de modo imparcial.