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E se eu dissesse que, dentro de uma semana, uns primos seus do interior te visitarão em casa. Sete dias depois aparecem uns chimpanzés. Qual a sua reação? Vai recebê-los com comes e bebes ou vai mandá-los para um zoológico? Pense bem, pois os seus primos vieram diretamente do interior da África só para restabelecer laços familiares enfraquecidos há mais de 4 milhões de anos¹. Você e os seus primos, unidos por um casal de antropoides, que recordações vocês teriam dessa época de vacas magras? Um ramo da família ficou pelas florestas da África e o outro pretende conquistar o mundo.

Bom, se você é um teísta bitolado, deve ter odiado essa minha situação hipotética. Meu texto é endereçado a esse público, teístas e criacionistas reacionários que rolam de rir com a idéia de um suposto parentesco entre nós, humanos, e o resto dos primatas. Uma coisa que você, criacionista, não percebe é que a sua casa está cheia de primos. Até mesmo o seu intestino está cheio deles. No seu almoço você deve ter devorados alguns.

Não, não existem chimpanzés morando no seu intestino ou no seu prato (assim eu espero). Falo de primos ainda mais antigos. Se o seu almoço foi um bife, saiba que você divergiu da sua comida cerca de 85 milhões de anos atrás¹. Mas, se você é um vegan, então você e seu almoço estão separados por muito mais tempo. A data é imprecisa, mas é superior a um bilhão de anos. Tudo família.

Eu falei tudo isso para deixar clara uma coisa. A teoria da evolução não é sobre humanos evoluindo de macacos é algo muito mais amplo. Ela é ainda mais incorreta ser for interpretada como os humanos descendendo de macacos atuais (e não de primatas extintos, que seriam os ancestrais comuns a humanos e chimpanzés, por exemplo). Mas os macacos, os humanos, ou mesmo todos os primatas são meramente uma pequena parte do objeto de estudo que seria toda a biosfera, seus componentes vivos e seus ancestrais (compondo o que chamamos de “Árvore da Vida”).

Clássica caricatura de Darwin

É aí que entra a falácia do texto. Fazendo um retrospecto, no meu primeiro texto eu falei da falácia da abiogênese, um erro advindo da falta de clareza com que a biologia é ensinada nas escolas. Depois eu fui para a falácia da convergência de características, provinda de uma idéia errada na qual a evolução é essencialmente aleatória e de que essas características são praticamente iguais. A terceira falácia citada é a mais suja e polêmica de todas e diz que evolucionismo e nazismo andam de mãos dadas. Na quarta eu lidei com a evolução apresentada na mídia em massa e como isso reflete a visão das pessoas sobre a teoria. Nesta última, a falácia mais clássica de todas é a do homem surgindo do macaco. Traduzindo essa última falácia em apenas uma pergunta, muito difundida e freqüente: “Você acredita que viemos dos macacos?”.

Provavelmente você, criacionista ao qual me dirijo, já deve ter perguntado isso a muitas pessoas. Outra frase muito recorrente é: “Eu não acredito na evolução, pois não acho que o homem tenha se originado de macacos.” O que eu posso dizer é que essa afirmação está completamente equivocada em diversos graus.

O primeiro erro eu já deixei bem claro. Evolução não se trata apenas da origem do homem, portanto, não serei repetitivo. O segundo erro, como eu já disse no quarto parágrafo, depende do que você entende por “macaco”. Se a sua idéia é um macaco que você viu no zoológico ou na televisão, então devo dizer que está enganado. Os macacos atuais são tão ancestrais seus como você é ancestral do seu priminho de dois anos. Ou seja, vocês são parentes, unidos por um ancestral comum que, no caso do primo de dois anos são o vovô e a vovó; no caso dos macacos são vovôs e vovós de espécies extintas há milhões de anos, mas um não é o ancestral do outro.

É muito interessante notar o quão difundida é essa falácia. O motivo principal eu falei logo no meu primeiro texto deste sítio. Dizer que somos parentes de macacos ofende. Algumas pessoas ainda deliram sonhando que viemos de anjos ou de partes da anatomia de deuses poderosos. É meio frustrante para essa legião de iludidos admitir que seus avós não faziam parte de guerras celestiais ou participaram da criação do mundo. Frustrante porque ainda não foram capazes de contemplar a realidade em toda a sua grandiosidade, então preferem o devaneio místico a que estão habituados. Essa falácia é a mais importante, embora não seja a mais suja ou perigosa, porque traduz claramente a maior barreira para a compreensão da teoria evolutiva: o orgulho.


1. DAWKINS, Richard. A Grande História da Evolução: Na trilha de nossos ancestrais. Tradução de Laura Teixeira Motta – São Paulo: Companhia Das Letras, 2009.

Umas semanas atrás eu estava conversando sobre evolução com um criacionista. Em um momento do debate, ele alegou que a única evolução que ele considerava verdadeira era a dos pokémons. Claro que ele estava tentando ser irônico, mas como o resto da argumentação dele não estava grandes coisas eu resolvi desistir. Daí então me ocorreu a seguinte pergunta: até que ponto a cultura pop reflete o conhecimento de evolução da população geral?

Xmen, Spore, e Pokémon são exemplos de como a evolução aparece na cultura pop. Obviamente, nenhum desses três exemplos tem a pretensão de ensinar preceitos básicos de biologia a quem quer que seja.

A "verdadeira evolução", segundo alguns criacionistas.

Seria de se esperar que as pessoas enxergassem a evolução de uma maneira muito diferente do que a apresentada pela televisão ou por jogos eletrônicos. O que acontece é que ela não é tão diferente assim. A “evolução” que presenciamos na cultura pop é um reflexo de como ela é vista pela grande massa de leigos não-curiosos. Isso é algo meio preocupante; percebo nas perguntas que me fazem a respeito da teoria neodarwinista e vejo algumas ideias obsoletas encravadas nelas, ideias que podemos encontrar nos Xmen e no Pokémon, por exemplo. Vou falar sobre esses dois mais tarde. Deixarei Spore de fora, pois é um jogo para computador relativamente recente que, ao que parece, aborda a evolução de maneira um pouco mais fiel do que os outros dois exemplos.

Pokémon. Para todos os que nasceram nos anos 90 ou segunda metade dos 80 esses monstrinhos nipônicos certamente são bem familiares. Aos que ainda não conhecem, Pokémon é uma série de jogos que se expandiu para a TV, mangás e virou filmes. Trata de bichos encontrados na natureza que podem ser confinados em pequenas bolas – as pokébolas – que cabem na palma da mão. Esses mesmos bichos estão condenados a serem usados em batalhas que envolvem outros seres de semelhante natureza e situação. Resumindo, a série é uma briga de galo ao melhor estilo otaku. Isso é apresentado para crianças e, posso confirmar, na minha época de pirralho eu achava tudo isso muito divertido. A parte interessante é que esses mesmos bichos evoluem. Depois de muito tempo lutando, um determinado pokémon pode se transformar noutro, maior e mais forte.

Evidentemente que a “evolução” desses monstrinhos serve tão somente para dar uma apimentada no gameplay. Uma “evolução” tão caricata e despretensiosa não tem – ou ao menos não teria – como ser interpretada de outra maneira. O que me espanta é o número de vezes em que eu encontro perguntas semelhantes a esta: “se a evolução existe, como é que eu nunca vi um peixe se transformando em um anfíbio?”. Devo dizer que já fiquei muito tempo imaginando de onde diabos o sujeito tirou que um peixe deveria se transformar em um anfíbio. A única resposta que me veio em mente foi Pokémon. Fora as variantes dessa pergunta, como sapos se transformando em passarinhos, macacos em humanos e demais metamorfoses impossíveis. Não existe absolutamente nada dentro da teoria evolucionista dizendo que um indivíduo de certa espécie deveria se transformar noutra. Outro conceito presente dentro dos pokémons é que uma evolução sempre é melhor que a sua antecessora. Ao passo que imaginar a evolução como uma metamorfose de uma espécie em outra é um erro tacanho cometido apenas por uma “elite” de alienados, supor que ela é uma força geradora de seres progressivamente mais complexos é um erro comum. Essa ideia de evolução e progresso é quase onipresente na cultura pop não sendo exclusiva dos pokémons.

E então temos os Xmen. Um número bem maior de gerações está familiarizado com esses senhores. Além da ideia, muito comum, de que evolução traz sempre alguma melhoria, os Xmen trabalham com o mito da evolução do homem (e da mulher também). A humanidade ficou muito tempo sendo apenas humana e, segundo os quadrinhos, chegou a hora de evoluir. E que evolução! Uns evoluem para seres com poderes psíquicos, outros controlam o ferro e temos ainda os que emitem raios pelos olhos. E todas essas mutações maravilhosas acontecem no mesmo bendito gene, o tal do “gene x”. Pois bem, isso são apenas detalhes. Da mesma maneira que os pokémons evoluem da maneira deles, os Xmen assim o fazem apenas para servir de entretenimento e não devem ser levados a sério. Bom, mas assim como o exemplo anterior, aqui reflete a maneira que o grande público vê a evolução. Nesse caso, mais especificamente, a evolução humana. “Quando vamos evoluir?”, já li perguntarem. Ou então: “Se nós somos seres-humanos, por que os macacos já não evoluíram para humanos também?”. Essas são perguntas que eu realmente leio na internet. Algumas vezes, os autores dessas perguntas acham que encontraram uma falha grotesca na teoria, quando deveriam supor falta de estudo (o que é o caso). Acontece que evolução não é uma obrigação mas sim uma consequência. São linhagens de indivíduos, populações, que se dividem em mais linhagens. Cada conjunto de indivíduos vai sofrer pressões seletivas diferentes se adaptando de acordo com elas, e então temos a evolução. Ela não vai bater na porta de sua casa e dizer: “Chegou a hora de evoluir”.

É muito estranho, mas parece que um europeu em pleno século XIX teria mais facilidade de compreender a teoria do que um leigo alienado de nossa época. Vimos como a evolução aparece na cultura pop. Vimos também como muitas perguntas a respeito da teoria evolutiva feitas pelo público leigo se assemelham muito mais à “evolução” encontrada em desenhos, filmes e jogos do que com a teoria propriamente dita. Hoje nós vivemos em uma época na qual a aquisição de informação é fácil (chega a ser conhecida como a “era da comunicação”). Mas então, como tantas pessoas estão tão desinformadas quanto a certas teorias? Bom, para começar, a informação está em todo o lugar, mas só quem quer encontrá-la usufruirá dela. A grande maioria das pessoas não possui tanto interesse assim no que a teoria evolutiva diz ou deixa de dizer, o que já é um problema, principalmente para a miríade de críticos que certamente não leram nenhuma obra cientifica relacionada ao tema.

Na época de Darwin, praticamente toda a população estava envolvida com algum tipo de criação, desde cereais até pombos (animais que Darwin utilizou para embasar a seleção natural, na Origem das Espécies). Todo mundo tinha muito mais contato com a natureza e não era difícil perceber como a seleção artificial afetava intensamente a constituição dos seres vivos trabalhados. Darwin expandiu a ideia bem fundamentada de seleção artificial para a natureza sem influência antrópica e por isso foi tão eloquente. Hoje muitas pessoas compram um frango no supermercado sem ter a menor ideia de todo o processo de criação que levou uma ave silvestre a se tornar um animal doméstico com o passar das gerações. Comemos milho sem conhecer a sua longa história como cereal que tem o seu início com os Maias e Astecas. Vivemos na ilusão de que somos melhor informados a respeito do mundo graças aos avanços da comunicação, mas o que vejo é uma multidão indo em direção contrária.

Há poucos dias, criacionistas tiveram mais uma importante derrota nos tribunais dos Estados Unidos. Um juiz federal negou ao ICR (Instituto para Pesquisas Criacionistas) a possibilidade de oferecerem o grau de Mestrado em Ciências com “uma perspectiva do criacionismo bíblico-científico”. Atribuindo a jovens crentes o grau de Mestre em Ciências, o ICR poderia diminuir a escassez de Criacionistas “Cientistas” que promovam a Teoria da Terra Jovem.

As batalhas nos tribunais americanos não são nada novas. Começaram com o Julgamento de Scopes em 1925, no qual um professor do ensino médio, John Scopes, foi acusado do ensino ilegal da Teoria da Evolução no Estado do Tennessee. Esse julgamento ganhou grande notoriedade nos EUA, juntando grandes juristas tanto do lado da defesa quanto da acusação e até virou o filme O Vento Será Tua Herança, em 1960. Ao final do julgamento, Scopes foi considerado culpado, o que lhe garantiu uma multa de U$ 100, o equivalente nos dias de hoje a aproximadamente R$ 2.200. O julgamento elevou as proibições em diversos outros estados que só seriam derrubadas em 1968 no julgamento Epperson vs Arkansas.

Susan Epperson era uma professora secundária que se viu em um dilema. Deveria seguir a recomendação de adotar um novo livro que discutia a evolução, ou seguir a lei que proibia o ensino da Evolução no Estado? Susan Epperson decidiu levar o caso à justiça e o estendeu até a Suprema Corte Americana, órgão máximo da justiça. Nesse julgamento, a corte deu ganho de causa aos professores, alegando que a proibição feria a primeira emenda da constituição americana, que prevê a separação do Estado das Religiões.

A saída adotada pelos criacionistas foi tentar ensinar o criacionismo e a Evolução juntos, como se tivessem a mesma importância dentro da ciência. Nascia aí o termo “Criacionismo Científico”. O caso foi novamente à justiça, em 1982, no Estado de Arkansas e, em 1987, na Suprema Corte dos Estados Unidos. Nesse segundo julgamento, uma carta, assinada por 71 ganhadores do Prêmio Nobel, 17 academias estaduais de ciências e outras 7 associações científicas, foi entregue aos juízes afirmando que o criacionismo não possuía nenhuma qualidade científica e era composta de diversos elementos religiosos. Assim, o criacionismo foi banido do currículo de ciências nos Estados Unidos.

O resultado desse julgamento obrigou uma mudança de estratégia por parte dos criacionistas: já que não podiam ensinar o criacionismo, eles passaram a atacar o evolucionismo e rebatizaram o Criacionismo para Design Inteligente, diferenciando-os apenas pelo detalhe de não nomear deuses como a inteligência responsável pelo design.

No distrito de Dover, na Pensilvânia, dois membros do conselho de educação, que por acaso também eram criacionistas da Terra Jovem, conseguiram convencer a maior parte do conselho que era inadmissível que um livro dissesse que o homem descende dos macacos, não havendo nada para contrabalancear essa hipótese. Desta forma decidiu-se que o Design Inteligente deveria ser ensinado para os estudantes.

Tammy Kitzmiller, mãe de um aluno, decidiu levar o caso à justiça, e argumentou o óbvio, que o Design Inteligente era apenas mais uma roupagem para o velho criacionismo. Os defensores convocaram, como testemunha, diversos especialistas. O primeiro deles foi Michael Behe, bioquímico e autor do famoso livro A Caixa Preta de Darwin, um dos marcos do Design Inteligente.

Em seu depoimento, Behe, sob juramento, assumiu não haver qualquer artigo revisado por pares que suporte o design inteligente. Além disso, assumiu que pelo conceito de teoria científica que o Design Inteligente se encaixava, a astrologia também poderia ser considerada como cientificamente válida. O juiz concluiu, desta forma, que o ensino do Design Inteligente era inconstitucional e assim, não mais poderia ser ensinado nas escolas.

Os criacionistas, para não caírem no ostracismo, reuniram esforços na difícil tarefa de embasar cientificamente suas afirmações e, para isso, procuram aumentar o número de crentes cientistas pagando altos prêmios, investindo em “pesquisas” e criando universidades. Felizmente, desde 1925, a justiça têm sido coerente colocando o criacionismo em seu lugar de direito: junto das doutrinas religiosas.

II

Certamente, todos nós concordamos que a teoria da evolução ainda encontra alguns problemas. É uma teoria forte, porém incompleta. Ainda não se sabe explicar a origem da reprodução sexuada ou da célula eucariótica. A explosão do cambriano e como a vida se originou são lacunas que perduram até hoje. O que alguns não sabem é que essa mesma teoria não está em conflito com a maioria das coisas que acreditam estar. Isso é algo engraçado. Vejo pessoas dizendo que a evolução contradiz a biogênese, a entropia, a estatística, o bom-senso, mas raramente vejo essas pessoas atacarem onde a teoria realmente ainda não explica. Um exemplo disso está em processos de convergência presentes na natureza que, segundo alguns, contradizem a aleatoriedade da evolução.

Pois bem, segundo essas pessoas, uma mesma característica não poderia surgir independentemente em duas populações diferentes pois seria improvável demais. Para um fenômeno que ocorre essencialmente ao acaso, não seria possível uma estrutura, como a asa, por exemplo, surgir mais de uma vez em táxons distintos. Essa alegação se baseia na estatística. Para os seus defensores, dizer que a asa surgiu em vários grupos diferentes equivale a defender que um mesmo apostador ganhou na mega sena mais de uma vez. O melhor adjetivo para descrever esse comportamento tipicamente criacionista é “afobado”. Nomeamos uma estrutura considerando uma ou mais características que supostamente a designam. No caso das asas, seriam estruturas que permitem um vôo ativo e independente. Isso significa que qualquer estrutura que obedeça a essas definições pode e deve ser chamada de “asa”, independente do modo pelo qual ela alcança essas propriedades. Só que isso não implica que essas estruturas devam ser idênticas.

As asas são um exemplo didático, e até bonito, de como a crença na evolução como fundamentalmente aleatória é falsa. Na natureza existem leis bem estritas: qualquer coisa que não funcione muito bem estará apenas consumindo energia e a seleção natural ceifará tudo o que não for útil o suficiente. O que não significa que ela não premie, e muito bem, os improvisos. Dentre todas as estruturas possíveis de existir, pouquíssimas permitem o vôo, mas os caminhos para chegar a essas estruturas são bem mais diversos do que imaginamos à primeira vista.

Desenho das asas de aves e insetos. Notem que as diferenças são muitas.

Para começar, vamos analisar os grupos vivos que possuem asa, que seriam as aves, os morcegos e os insetos (Os pterossauros assim como algum possível grupo portador de asa desconhecido e extinto ficam de fora). Quanto às asas, todas são estruturas chatas e alongadas, quase ovais, que possuem flutuabilidade, força propulsora e arrasto. Sob o ponto de vista funcional, elas podem ser bem parecidas, mas anatomicamente as diferenças são muito maiores. As das aves podem ser entendida como um braço de um dedo só (na verdade, ainda tem o polegar, formando a álula) e com penas. Os morcegos possuem membranas interdigitais enormes, sendo as asas as suas mãos estendidas, por isso o nome “quiróptero” (asa nas mãos). E temos as asas dos insetos, que são bem diferentes das anteriores. São membranas finas e vascularizadas e, ao contrário dos vertebrados, nos insetos os músculos estão inseridos apenas no tórax.

Fóssil de Archaeopteryx

Mas como essas asas vieram a surgir é que é a parte interessante. São caminhos muito diferentes levando para o mesmo modo de locomoção. A origem das asas nas aves remonta à sua ancestralidade com os dinossauros, mais especificamente os terápodos (o grupo do velociraptor e do tiranossauro), chegando à espécie considerada como a ave mais antiga, que seria o Archaeopteryx. Seriam terápodos pequenos, leves, as penas seriam escamas modificadas. Essas penas estariam presentes não só no Archaeopteryx, como também em alguns de seus ancestrais terrestres. A função das penas em um dinossauro que não voava, ainda que pequeno, é uma incógnita. Mas devemos lembrar que nem tudo possui uma função em termos de sobrevivência, podendo as penas servir como display, seja para assustar predadores ou atrair fêmeas. O que muitos não sabem é que existiu uma porção de dinossauros com penas. Alguns deles possuíam muitas penas nas pernas traseiras e certamente muitas dessas linhagens de répteis penados foi extinta. Voltando aos Archaeopteryx, eles eram dinossauros muito pequenos, do tamanho aproximado de um pé humano, e não se sabe ainda se eles voavam ou apenas planavam. A hipótese atual para o comportamento desse bicho é que ele realizava vôos baixos e curtos, certamente para capturar animais voadores como libélulas. É a conhecida hipótese terrícola. Além de ser uma hipótese mais plausível, eu particularmente gosto muito dela, graças a um detalhe: ela lembra muito o começo do vôo dentro de nossa própria civilização. Como os primeiros aviões, o Archaeopteryx também não realizava vôos elaborados e extensos. O 14-bis voou apenas alguns metros, somente depois surgiriam aviões capazes de voar durante horas, percorrer continentes ou atingir velocidades supersônicas. Com as aves essa história é semelhante. Hoje existem aves que atravessam o planeta, pairam no ar e realizam rasantes em altíssimas velocidades. Um começo humilde, pouca coisa mais do que um mero salto, para enfim o vôo e todas as suas possibilidades.

Dumbo: inspirado pela história de sucesso dos insetos?

Para os insetos, a origem das asas é completamente diferente. As membranas que hoje são usadas para o vôo, antes eram usadas como termorreguladoras. Esse mecanismo não é novo. Para resfriar a linfa, o inseto a espalhava por uma membrana fina e a sacudia velozmente aumentando a troca de calor entra a linfa e o meio. Elefantes fazem algo análogo, irrigando as orelhas com sangue e abanando-as. O que os elefantes não conseguem é utilizar essas orelhas para voar (ao menos os elefantes reais, desconsiderando, neste caso, o Dumbo). É uma pena que não possamos conhecer a compreensão de mundo de um inseto, pois seria engraçado imaginar o quão perplexo ficou o primeiro inseto encalorado em seu primeiro vôo. E algo tão versátil, útil e poderoso quanto as asas, nascendo de um mecanismo prosaico de termorregulação. É como se os helicópteros tivessem sido inventados por um fabricante de ventiladores. Você pode imaginar a cena.

O que há de mais moderno em termos de "asas".

O ponto é: muitas pessoas veem na funcionalidade e na beleza da natureza um projetista infinitamente sábio e onisciente por trás. Tanta convergência, tanta eficiência só pode ser interpretada como obra de um designer inteligente. Bobagem. Não interessa o quão perplexos fiquemos com a complexidade de nosso mundo, sempre existe uma ótima explicação. Uma explicação mais completa, plausível e elegante, que só pode ser obtida através de muito estudo e muita perspicácia (sempre com uma pitada de  criatividade). Poderíamos encerrar a questão das asas como prova cabal de que existe um deus por trás das espécies e que ele sabe o que está fazendo, mas morreríamos sem conhecer as suas histórias evolutivas, interessantes e belas por si mesmas, como as próprias asas que deram origem.

Existem várias maneiras desonestas de se atacar um argumento. Essas maneiras são conhecidas como falácias e os criacionistas abusaram delas para atacar a teoria da evolução durante uns bons séculos. Talvez, mais corretamente, eu deva dizer que existem maneiras desonestas de não se atacar um argumento, visto que uma falácia consiste em desviar do argumento principal para tratar de um assunto inválido e/ou irrelevante para o debate. Falarei de uma falácia em especial, perniciosa e muito eficiente quando apresentada a um público leigo. É a famigerada falácia do espantalho.

“Argumento” de um criacionista. Eles tentaram...

“Falácia” é o tipo de coisa que, depois que conhecemos, começamos a encontrá-las por todos os lugares. Pois bem, quanto à falácia do espantalho, ela tem um certo grau de imundície, visto que ela consiste em criar uma versão deturpada do argumento e atacar a versão falsa, não o argumento em si. O que eu vejo como “certa imundície” reside justamente na deturpação e posterior atribuição de ideia tão ridicularizada ao debatedor. Imagino que essa deturpação venha principalmente da própria ignorância e não de uma tentativa deliberada (e propriamente suja) de ridicularizar.

Como a “versão espantalho” criacionista da evolução é imensa, vou abordá-la ponto a ponto. Falarei aqui sobre a ideia de que a teoria da evolução é incompatível com a teoria da biogênese. Começarei por ela por se tratar de um equívoco comum, principalmente quando levamos em conta como a evolução e a origem da vida são explicadas na escola.

Em primeiro lugar, a alegada incompatibilidade é incorreta. A teoria evolutiva não busca explicar a origem da vida, mas sim como as populações variam conforme o passar do tempo. Contudo, é inegável que essa mesma teoria acaba levantando a questão da origem. Certo, derrubamos a crença de que as espécies foram criadas tais como são hoje de maneira sobrenatural. Mas, então, como surgiram?

Eu estava ajudando a minha irmã a estudar para a prova de biologia do colégio. Comecei a discutir sobre a teoria da abiogênese, que foi cabalmente derrubada por Pasteur, sendo imposta a teoria biogenética no lugar. Só que a teoria da biogênese carregava uma ideia um tanto quanto ilógica: “A vida surge apenas de vida”. Então a minha irmã veio com uma pergunta, muito pertinente por sinal: “Mas, afinal, se vida surge apenas de vida, como surgiu a primeira?”

Perguntinha cabeluda. Não vou adentrar nas respostas por dois motivos. O primeiro é que não existe uma teoria sólida, apenas um conjunto de hipóteses. Segundo que, mesmo que eu abordasse apenas as hipóteses, acabaria tornando o texto demasiadamente extenso. O ponto é que a afirmação citada há pouco é falsa. A vida não pode surgir apenas de vida. Aliás, essa sequer é a conclusão do próprio Pasteur. O que ele atacou não foi toda a ideia de abiogênese, mas, especificamente, a da geração espontânea, como seres vivos complexos surgindo de matéria inorgânica.

Louis Pasteur derrubando a hipótese de geração espontânea.

O espantalho de toda essa história é o seguinte. A teoria evolutiva é falsa, pois supostamente estaria dependendo da teoria abiogenética, cabalmente derrubada por Pasteur. Devo dizer que este é o espantalho criacionista mais feliz de todos, visto que ele consegue pegar uma ideia simples ensinada na escola e colocá-la deturpadamente para falsear outra ideia, bem menos ensinada, que seria a evolutiva. Quando a questão é colocada desta maneira, com a evolução entrando em discórdia com a biogênese, realmente parece que o neodarwinismo é um devaneio patético.

Pois o que eu posso dizer sobre tudo isso? Conclui-se que Pasteur derrubou, entre outras coisas, que carne podre não era capaz de gerar moscas espontaneamente. Mas ele certamente não derrubou a teoria de que essas moscas surgiram a partir de insetos dípteros ancestrais e se diversificaram através de mutações e seleção natural. Uma coisa definitivamente não tem nada a ver com a outra.

Percebe-se uma tentativa desesperada de encontrar incongruências no neodarwinismo. Falarei sobre outro exemplo, no meu próximo texto, que falará sobre… asas!

Em minha última coluna, falamos sobre a inexistência dos tais “elos perdidos”. Comentamos também que as espécies diferenciam-se através de pequenas etapas, fato este que pode ser observado atualmente com as espécies em anel, que além das gaivotas que comentei, também são representadas pelas salamandras da Califórnia (discutidas no último texto de Eduardo).

No caso dos humanos, as etapas de diferenciação que nos separam dos chimpanzés ocorreram na dimensão tempo e não somente na dimensão espacial como nas espécies em anel. Desta forma, a única maneira de termos contato com estas espécies seria por meio dos fósseis, que neste caso são apelidados de fósseis de transição.

É claro que os criacionistas, em seu ceticismo parcial, não aceitariam tais fósseis como evidência; afinal, para eles, o registro está incompleto, existem vários buracos na continuidade de um fóssil para outro.

Nem todos os mortos se tornam fósseis, já que o processo de fossilização requer uma série de condições muito especiais para ocorrer. Porém, quando ocorre, deixa um registro para a posteridade, algo como uma fotografia daquela espécie naquele período.

Observemos as duas fotos abaixo:

 

Sabemos que a foto da direita representa o Rei Pelé. Porém, de que maneira poderíamos ter certeza de que o simpático garoto da esquerda também é o Rei? Quem sabe poderíamos juntar as tais fotos de transição.

 

Ainda não é o suficiente; mesmo que juntássemos todas as numerosas fotos que foram tiradas ao longo da vida do Pelé, não cobriríamos todas as falhas desta transição. Mesmo que tirássemos uma foto a cada minuto da vida do Rei, não seria suficiente para aqueles que acreditam (como eu) que o Rei Pelé foi criado por uma inteligência superior, os buracos de um minuto na sequência de transição seriam inaceitáveis.

Aliás, para quem duvida da origem superior do Rei, curvem-se diante destes fatos:

httpv://www.youtube.com/watch?v=AFSbUPgjRio

O que acontece aos 2m54s não pode ser explicado pelas leis naturais.

Observando os seres vivos em nosso planeta, pode-se concluir muita coisa. Uma das mais óbvias é a de que eles demonstram uma variedade absurda de formas. Isso é um fato escancarado. Sabemos que existem cachorros, baratas, lambaris, caramujos, macieiras e repolhos. Conseguimos identificar cada um desses sem a menor dificuldade. Na verdade, a nossa capacidade de identificação vai ainda mais longe. Não apenas podemos diferenciar uma cobra de um tatu, como sabemos existir diferentes tipos de cobras, agrupamos cobras e tatus em classes distintas e chegamos a agrupar diferentes famílias e gêneros de cobras.

Outra coisa que podemos concluir ao observar os seres vivos envolve o seu material genético e, ao passo que para observar a biodiversidade precisamos apenas de um par de olhos, para se observar o material genético é necessária uma enorme carga de conhecimento em diversas áreas. Povos indígenas possuem um vocabulário extenso referente às várias espécies de animais de sua região, mas certamente não sabem nada sobre o material genético deles. Falo sobre as moléculas responsáveis por armazenamento de informação presentes em nossas células. A mais importante delas seria o ácido desoxirribonucléico, mais conhecido por sua sigla em inglês: DNA. Pois um fato muito intrigante relacionado a essa mesma molécula é a de que ela está presente em praticamente todos os seres vivos. E quando eu falo “praticamente todos” eu estou excluindo certos vírus, apenas (lembrando que sequer há consenso quanto à inclusão dos vírus entre os seres vivos). Ou seja, todo o resto possui DNA. Nós (seres humanos), leões, lampreias, formigas, lesmas, vermes, esponjas do mar, pés de alface, musgos, jacarandás, cogumelos, bolores, amebas, algas e bactérias, só para citar alguns. E esse DNA possui uma estrutura bem definida, a diferença entre o DNA de um jacarandá, de um verme e de uma bactéria se resume ao arranjo das bases nucleotídicas e de como essa molécula está disposta na célula. Em nós, por exemplo, o DNA está arranjado em grupos menores, repletos de proteínas, principalmente histona, conhecidos como cromossomos. Mas em certas bactérias, como a Escherichia coli, esta molécula encontra-se arranjada em um formato circular.

Pois é a união desses dois fatos, um mais evidente, o outro bem mais escondido, que são o assunto de meu texto. A interpretação desses dois fatos representa o choque da intuição com a descoberta. Em seu último texto, o Bruno falou sobre o mito do elo perdido. Pois esse mito é fruto de uma idéia errada, rígida demais que tínhamos de “espécies”. Para exemplificar, pense no que certos criacionistas dizem:

“Porque lagarto é lagarto, gaivota é gaivota e humano é humano. Você não vê um lagarto evoluindo para uma gaivota.” (frase minha, ilustrando o que eu realmente leio e escuto de muitos criacionistas)

Essa frase demonstra claramente a ignorância dessas pessoas no que se refere ao ambiente natural. Na verdade, ela demonstra a ignorância em dois pontos. No primeiro dele, a idéia que uma espécie não tem nada a ver com a outra. A primeira vista, parece ser uma constatação óbvia, mas não é sequer verdadeira. Sabemos diferenciar um lambari de um atum, mas somente um sistemata experiente diferencia certos lambaris um do outro. Imaginamos que as espécies possuem um lugar fixo, separadas uma das outras, só que essa idéia desmorona quando paramos para analisar cada espécie dentro de um mesmo grupo. Esse equívoco, essa falta de conhecimento sobre o que estão falando, também permite que os mesmos criacionistas soltem frases semelhantes como: “Eu reconheço a microevolução, mas acho a macroevolução um absurdo”. A crença é a de que existe uma diferença qualitativa entre as duas, sendo a “microevolução” a variação genética dentro de uma espécie e a “macroevolução” a especiação propriamente dita. No texto do Bruno ele mostra um caso de “espécies em anel”, que seria o das gaivotas do ártico. Tem ainda outro, tão didático quanto, que seria o das salamandras californianas Ensatina (imagem). Esses exemplos demonstram cabalmente que essa distinção entre “micro” e “macroevolução” só existe na cabeça de alguns desinformados.

O outro equívoco criacionista não é menos grosseiro. “Você não vê um lagarto evoluindo para uma gaivota”. E não vê mesmo. Até porque, isso supostamente não deveria ocorrer. Peguemos uma única espécie de lagarto e uma de gaivota, digamos, uma iguana verde (Iguana iguana) e a gaivota prateada que já estamos familiarizados (Larus argentatus). Pois bem, a primeira vista podemos dizer que elas são muito diferentes. Mas essas diferenças não se comparam às semelhanças, ainda mais patente aos olhos entre essas duas espécies. Ambos possuem pulmões, um par de olhos, fêmur, crânio diápsido, fígados e cérebro, por exemplo. Na realidade, eu poderia usar páginas e mais páginas para ilustrar as semelhanças entre os dois, seja ela de natureza morfológica, metabólica ou mesmo comportamental. Não precisaria de tantas páginas assim para falar das diferenças, que seriam relativamente escassas. Acontece que essas duas espécies são exemplares atuais de uma história muito mais antiga. A gaivota prateada e a iguana verde representam, cada uma, populações de indivíduos muito assemelhados entre si, localizados em clados separados. Esses clados, também conhecidos como ramos, lembram o gráfico de um pedigree, só que em escala muito maior. Um clado pode representar um agrupamento a nível de gênero, como Larus, por exemplo, no qual estariam inseridas a maioria das gaivotas. Mas também pode representar uma classe, como a das aves. Assim como existe um clado que agrupa a gaivota e todas as suas parentes aves com os lagartos e cobras, conhecido como Sauropsida, hoje dividido entre os Lepidosauria (lagartos, cobras e tuataras) e os Archosauria (crocodilos, aves e os extintos dinossauros).

Acontece que o conceito de espécie é nebuloso. Seria um arranjo de indivíduos semelhantes e nada mais do que isso. Caso nenhuma espécie tivesse se extinguido, seria inviável agrupar os seres vivos em “espécies”. Durante milênios tratamos esses indivíduos como representantes de grupos fixos e bem caracterizados, sem relação histórica um com o outro. Hoje temos o DNA, presente em quase tudo o que entendemos por vida, todos com uma estrutura bem definida. Sabemos que as espécies não são muito mais do que nuances entre o genoma de uma população e de outra. O quadro inverte, o que antes era a obviedade da diferença, hoje é a obviedade da origem comum.

 O principal ponto fraco da Teoria da Evolução, segundo os criacionistas, é o fato de nunca ter sido encontrado o Elo Perdido. Evidentemente os criacionistas estão corretos: nenhum elo perdido foi encontrado. O que falta então para toda comunidade cética se curvar aos argumentos criacionistas?

 Para começar, faltaria definirmos o que exatamente um criacionista espera por um elo perdido. Uma mistura exata de homem e chimpanzé? Uma mãe chimpanzé segurando seu filho humano? Talvez um criacionista mais bem preparado diria: um fóssil que represente exatamente o momento em que houve a separação da espécie humana e dos chimpanzés.

 Até pouco tempo atrás se definia espécie como um grupo de indivíduos capazes de reproduzir entre si gerando descendentes férteis. Ou seja, duas espécies diferentes não poderiam ser capazes de cruzar entre si. O que levaria o criacionista a concluir que, no momento em que surgiu o primeiro homem, ele não poderia encontrar nenhuma parceira, afinal, só haveria “chimpanzeias”, fato que o levaria a extinção.

 O primeiro ponto importante a ser considerado é que a especiação não ocorre em apenas uma geração e com um único indivíduo. A especiação é um evento que envolve grandes populações, em espaços geográficos extensos e em milhares de gerações. Uma descoberta relativamente recente que nos ajuda a compreender a complexidade deste evento são as espécies em anel.

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As duas simpáticas gaivotas acima apresentam diferenças bastante claras. Além disso, elas não cruzam entre si, o que seria suficiente para as classificarmos como duas espécies distintas. Mais curioso, porém, é o fato de que a gaivota prateada (frente) pode cruzar com gaivotas do continente americano, que por sua vez são capazes de cruzar com outras gaivotas, que num ciclo de cruzamentos que dá a volta no pólo norte chega novamente ao norte da Europa com uma espécie capaz de cruzar com a gaivota de asa escura (atrás). Ou seja, as duas espécies distintas de gaivotas apresentam algo como um gradiente interespécies.

 Entre humanos e chimpanzés ocorre algo bastante parecido, porém com uma pequena diferença: as espécies intermediárias estão mortas. Não é necessário apelar para o vasto registro fóssil para evidenciar essa transição; basta observarmos as inúmeras evidências genéticas que já a comprovaria sem a necessidade de qualquer fóssil.

 Uma segunda corrente de argumentos criacionistas é a que afirma que o registro fóssil é incompleto e, portanto, não pode ser considerado como prova da transição.

 Para discutirmos esse argumento, contaremos com a ajuda do Rei Pelé em nosso próximo artigo.