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Engana-se quem pensa que a ilusão restringe-se ao amor e à religião. Somos tão hipócritas que, ao dizer “somos livres por romper os laços da fé!”, acabamos por nos esquecer de que a fé é regida por dogmas, hierarquias e, consequentemente, submissão. Não estamos livres disso em nosso dia-a-dia, nem em nossas mentes.

Todo o conceito que temos de certo e errado, educado e grosseiro, engraçado e triste, agradável e repugnante, tudo isso não passa de imposições estúpidas do cotidiano.

Um cristão se baseia em sua fé (entre outras coisas) para definir o certo e o errado. Neste caso a fé gera convicção. Não é errado dizer que um ateu tenha convicção, apesar de ser uma baita provocação dizer que tenha fé. Às vezes somos tão convictos de nossas posturas filosóficas que nos sentimos no direito de julgar o que é fútil e vulgar e o que é proveitoso e belo.

A velha frase “gosto não se discute” só é aplicada ao que não nos incomoda, ao que não perturba nossa linha de raciocínio e intelectualidade.

É triste quando percebemos que aquilo que julgávamos medíocre pode ser, para o outro, a mais bela arte; quando acordamos para o fato de que apesar de declararmos não sermos os donos da verdade, ainda assim tentamos impor uma verdade, de forma sutil ou não, consciente ou inconsciente.
A supervalorização de si, do outro ou de algo só nos faz perder tempo e oportunidades. Nossos olhos, rigorosamente treinados para a detecção do que é falso, servem apenas para o que está além da ponta do nosso nariz.

Ainda que apenas mais uma pirita entre tantas outras, chego a uma (particular) importante conclusão: mas que ridículo eu sou ao tentar descrever quão ridículos somos…