Tag Archives: Teoria da Evolução

 O principal ponto fraco da Teoria da Evolução, segundo os criacionistas, é o fato de nunca ter sido encontrado o Elo Perdido. Evidentemente os criacionistas estão corretos: nenhum elo perdido foi encontrado. O que falta então para toda comunidade cética se curvar aos argumentos criacionistas?

 Para começar, faltaria definirmos o que exatamente um criacionista espera por um elo perdido. Uma mistura exata de homem e chimpanzé? Uma mãe chimpanzé segurando seu filho humano? Talvez um criacionista mais bem preparado diria: um fóssil que represente exatamente o momento em que houve a separação da espécie humana e dos chimpanzés.

 Até pouco tempo atrás se definia espécie como um grupo de indivíduos capazes de reproduzir entre si gerando descendentes férteis. Ou seja, duas espécies diferentes não poderiam ser capazes de cruzar entre si. O que levaria o criacionista a concluir que, no momento em que surgiu o primeiro homem, ele não poderia encontrar nenhuma parceira, afinal, só haveria “chimpanzeias”, fato que o levaria a extinção.

 O primeiro ponto importante a ser considerado é que a especiação não ocorre em apenas uma geração e com um único indivíduo. A especiação é um evento que envolve grandes populações, em espaços geográficos extensos e em milhares de gerações. Uma descoberta relativamente recente que nos ajuda a compreender a complexidade deste evento são as espécies em anel.

Imagem

 

Imagem

As duas simpáticas gaivotas acima apresentam diferenças bastante claras. Além disso, elas não cruzam entre si, o que seria suficiente para as classificarmos como duas espécies distintas. Mais curioso, porém, é o fato de que a gaivota prateada (frente) pode cruzar com gaivotas do continente americano, que por sua vez são capazes de cruzar com outras gaivotas, que num ciclo de cruzamentos que dá a volta no pólo norte chega novamente ao norte da Europa com uma espécie capaz de cruzar com a gaivota de asa escura (atrás). Ou seja, as duas espécies distintas de gaivotas apresentam algo como um gradiente interespécies.

 Entre humanos e chimpanzés ocorre algo bastante parecido, porém com uma pequena diferença: as espécies intermediárias estão mortas. Não é necessário apelar para o vasto registro fóssil para evidenciar essa transição; basta observarmos as inúmeras evidências genéticas que já a comprovaria sem a necessidade de qualquer fóssil.

 Uma segunda corrente de argumentos criacionistas é a que afirma que o registro fóssil é incompleto e, portanto, não pode ser considerado como prova da transição.

 Para discutirmos esse argumento, contaremos com a ajuda do Rei Pelé em nosso próximo artigo.